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História
O algodao, que é considerado a mais importante das fibras texteis, naturais ou artificiais, é também a planta de aproveitamento mais completo e que oferece os mais variados produtos de utilidade.
As primeiras referencias históricas do algodao vem de muitos séculos ante de Cristo. Na América, vestígios encontrados no litoral norte do Peru evidenciam que povos milenares daquela regiao já manipulavam o algodao. Com os incas, o artesanato textil atingiu culminância, pois amostras de tecidos de algodao, por eles deixados, maravilham pela beleza, perfeiçao e combinaçao de cores.
No Brasil, pouco se sabe sobre a pré-história dessa malvácea. Pela época do descobrimento de nosso país, os indígenas já cultivavam o algodao e convertiam-no em fios e tecidos. No inicio do século XVI, Jean de Lery já descrevia o processo que os índios utilizavam para fiar e tecer o algodao. Em 1576, Gandavo informava que as camas dos índios eram redes de fios de algodao e Soares de Souza, mais tarde, revelou que o algodoeiro tinha para os indígenas também outras utilidades: com o caroço esmagado e cozido faziam mingau e com o sumo das folhas curavam feridas.
Os primeiros colonos chegados ao Brasil, logo passaram a cultivar e utilizar o algodao nativo. No Ceará, ao ser dada a concessao de terras a Martin Soares Moreno, o conselho de Lisboa já recomendava semear algodoeiros; e em Sao Paulo, Serafim Leite conta que os jesuítas do padre Anchieta introduziram e desenvolveram a cultura do algodao a fim de satisfazer suas necessidades de roupas e vestir os índios.
Nesse período, porém, tinha pequena expressao no comércio mundial. A la e o linho dominavam como tecidos. As culturas de algodao nao passavam de pequenas "roças" em volta das habitaçoes, e no Brasil o artesanato textil era trabalho de mulheres (índias e escravas).
Foi só pelos meados do século XVIII com a revoluçao industrial, que o algodao foi transformado na principal fibra textil e no mais importante produto das Américas.
No Brasil, o Maranhao despontou como o primeiro grande produtor da malvácea e em 1760 já exportava para a Europa 130 sacas de algodao para chegar em 1830 a 78.300 sacas.
Ao Maranhao, seguiu-se todo o Nordeste que apareceu como a grande regiao algodoeira dos país. Entretanto, ao se projetarem os Estados Unidos no século XIX, como grandes produtores dessa fibra, lançando-se no mercado em quantidades crescentes, a produçao brasileira entrou em rápida decadencia, mesmo porque outras culturas moviam concorrencia a do algodao. O café, novo produto tropical, monopolizava, principalmente em Sao Paulo, a atençao dos agricultores.
Porém, com a Guerra da Secessao nos Estados Unidos (1860), paralizando em parte a exportaçao da fibra deste país a Europa, desencadeou-se no Brasil novo surto algodoeiro, que durou pouco mais de 10 anos. Sua influencia, porém, prolongou-se por muito mais tempo, ao contribuir para fundamentar o progresso da cotonicultura brasileira, especialmente em Sao Paulo, ocorrido depois.
Até entao, no Brasil se cultivava o algodao arbóreo. Por essa época o algodao herbáceo foi introduzido no País e pela primeira vez na história, Sao Paulo se destaca como produtor desta fibra. A cultura do algodoeiro anual se expandiu por todo o Estado, apesar da inexperiencia dos agricultores em cultivá-lo. Alguns imigrantes norte-americanos que se estabeleceram em Santa Bárbara nesta ocasiao contribuíram bastante para orientar outros lavradores. Suas culturas serviram de modelo para as demais.
Entretanto, com a restauraçao da produçao dos Estados Unidos, a cultura em Sao Paulo regrediu consideravelmente, mas nao se extinguiu.
Somente pela ocasiao da I Grande Guerra Mundial, que coincidiu com a brutal geada de 1918, a qual devastou os cafezais, o algodao teve outro surto em Sao Paulo, que atingiu a produçao recorde de 50 mil toneladas de plumas. A indústria textil também já tomava vulto e o aproveitamento industrial do caroço de algodao começou a se desenvolver.
A grande importância que o algodao ia adquirindo, em contraste com o atraso de sua produçao no país, começou a despertar, desde o início do século, interesse pela pesquisa agronômica. Monografias sobre o algodao foram aparecendo, destacando-se a de Gustavo Dutra, entao diretor do Instituto Agronômico de Campinas. Em 1918 houve no Rio de Janeiro a Conferencia do Algodao, na qual vários trabalhos foram apresentados. Todavia, o maior parte dos trabalhos escritos era baseado em literatura estrangeira.
Estava, porém, reservado ao Instituto Agronômico de Campinas abrir no país a era da Agricultura baseada na técnica agronômica. Em 1924, Cruz Martins iniciou neste estabelecimento, entao sob a diretoria de Theodureto de Camargo, os trabalhos de melhoramento genético de experimentaçao relativa a técnica do cultivo do algodoeiro. Sementes de variedades selecionadas (tendo por base variedades americanas) passaram a ser distribuídas aos lavradores, ao mesmo tempo em que se ia elaborando os fundamentos da técnica de cultivá-las. A partir dessa época as pesquisas foram evoluindo.
Porém, nao foi na década do 20, mas na de 30 que o Estado de Sao Paulo pronunciou como o grande produtor de algodao do país, posiçao que desfrutava ao lado do Paraná.
Já se notou, no decorrer desta exposiçao, que os surtos algodoeiros em Sao Paulo eram provocados por fatores externos ocasionais. Na década de 30, o fator interno seria predominante, pois a crise do café ocorrida em 1929 acarretou profundo abalo na economia brasileira, especialmente em Sao Paulo, que girava em torno deste produto. Desmoronou-se entao a estrutura cafeeira, dando lugar ao ressurgimento da cotonicultura com uma expansao no Estado, agora já apoiada em técnicas modernas e pesquisas regionais.
O início da nova fase algodoeira, os agricultores puderam contar com sementes selecionadas, o que sempre faltou nos surtos anteriores, e, de 1934 em diante, toda a lavoura do Estado era de variedades paulistas.
Nesse mesmo período, a produçao de algodao em pluma em Sao Paulo, elevava-se de 4.000 para 100.000 toneladas. A conquista dos mercados mundiais, em virtude das boas qualidades das fibras foi possível e a produçao continuou aumentando, para chegar ao clímax em 1944, com 463.000 toneladas.
Todavia, com a expansao da cultura, alastraram-se também as pragas. Apareceram anos de condiçoes climáticas desfavoráveis ao algodoeiro e favoráveis a incidencia das pragas, provocando alarmante queda de produtividade da cultura. A área no Estado reduziu-se drasticamente, dando lugar a pastagem e a outras culturas tais como milho, arroz, amendoim e outras. Indiretamente o algodao concorreu para a diversificaçao da agricultura paulista e conseqüentemente para seu adiantamento técnico.
A partir daí, o futuro da cotonicultura em Sao Paulo estava nao mais na expansao da área, mas na produçao por área, isto é, sua produtividade. Os resultados nao se fizeram esperar. Graças aos esforços conjugados da pesquisa e do fomento, apresentando aos lavradores as boas variedades, ensinando-lhes as melhores técnicas, a produtividade do algodao no Estado elevou-se continuamente, a ponto de a produçao em caroço, que no início de 1945/49 era do 474 kg por hectare, passar para 882 kg/ha no período de 1955/59 e atingir em 1965/69 a produtividade de 1290 quilos e, produzindo em 1979/80, 1822 Kg/ha.
No Brasil, desde que começou a tomar aspecto de cultura econômica, o algodao tem sempre figurado no grupo vanguardeiro das atividades que carreiam divisas para o País. Embora nao seja cultivado de modo generalizado em todo o território, o algodao, até 1980, estava classificado entre as sete primeiras culturas no tocante ao valor de produçao.
Em vista disso, no âmbito internacional, o Brasil, que em virtude do desestimulo da cultura vinha desde 1966 reduzindo a área de plantio, chegando a ser ultrapassado na produçao pelo México, Egito e Paquistao, voltou em 1969 com a produçao de 3,3 milhoes de fardos, a ocupar posiçao entre os cinco produtores mundiais de algodao.
É notória a diferença de produtividade dos Estados da regiao Meridional para os da regiao Setentrional (Nordeste). A baixa produtividade desta regiao faz com que o Brasil se apresente no âmbito internacional em situaçao de inferioridade diante de outros países no que se refira a produçao por área.
Já o estado de Sao Paulo apresentou em 1984 uma produtividade de pluma de 567 quilos por Ha, que, podemos dizer, se assemelhou a dos Estados Unidos (573 Kg/ha).
Clima e solo Clima
Graças a obtençao de variedades anuais precoces e a introduçao de métodos de cultivos adequados, o algodao é hoje cultivado em uma larga faixa do planeta situada entre os paralelos 47 latitude norte e 30 latitude sul. Nesta faixa, desde que se apresente uma estaçao de 180 a 200 dias livres de geadas ou nevadas, com temperatura média acima de 20oC, com dias predominantemente ensolarados, com precipitaçao pluviométrica de 500 a 1.500mm anuais e convenientemente distribuída, o algodao pode ser economicamente cultivado.
Nem mesmo a escassez de chuvas limita seu cultivo, desde que haja possibilidade de irrigaçao. Aliás, só nas zonas onde a cultura pode ser irrigada que a produtividade atinge níveis mais altos, como acontece na Califórnia, Austrália, Egito, Israel, Uniao Soviética, etc. Ao contrário, o excesso de chuvas e, principalmente a sua má distribuiçao, nao encontra meios eficientes de correçao, razao pela qual o algodao nao é plantado na faixa litorânea do Estado de Sao Paulo.
Pode-se generalizar que temperaturas do solo em torno de 15oC retardam e tornam imperfeita a germinaçao da semente de algodao; entre 20oC e 30oC, este processo nao é só acelerado como também ganha em perfeiçao, do que resultam emergencia mais rápida de plantas e maior número destas por área.
O desenvolvimento do caule, o início do florescimento e o número de flores a se formar, embora subordinados a hereditariedade da planta dependem também das condiçoes de temperatura média.
Condiçoes ideais de calor durante a fase de frutificaçao possibilitam adequada formaçao dos frutos, enquanto flores formadas tardiamente nao conseguem medrar caso alcance condiçoes inconvenientes de temperatura. Dias frios retardam o desenvolvimento das plantas e prejudicam sua produtividade.
A maturaçao dos frutos e qualidade do produto, embora estejam mais na dependencia de outros fatores, sao também influenciados pelo calor; condiçoes de temperatura média muita elevada provocam abertura precoce dos frutos, do que resulta produçao de fibras imaturas, de baixa qualidade.
As variedades anuais de algodao produzem pouco em condiçoes de apenas 50% de luminosidade em 1 ano agrícola e condiçoes inferiores a 40% impossibilitam a produçao.
O algodoeiro anual, inicialmente, desenvolve-se bem, com alternância de dias chuvosos com dias inteiramente iluminados, muito embora as chuvas noturnas sejam mais adequadas. Mais para frente do desenvolvimento vegetativo, para abundante florescimento e produçao normal de fibras, intensa luminosidade seria o ideal, desde que nao houvesse carencia de umidade. No estágio final do algodoeiro luminosidade tem menor importância.
Há necessidade de se esperar pelas primeiras chuvas para facilitar o preparo da terra e proporcionar umidade necessária a boa germinaçao. Excesso durante o crescimento inicial das plantas dificulta os tratos e provoca o aparecimento de doenças.
Por ocasiao do florescimento a umidade excessiva favorece o desenvolvimento vegetativo, em detrimento da produçao e reduz a aeraçao do solo, causando queda anormal de flores e frutos.
Na abertura dos frutos, as chuvas excessivas prejudicam a qualidade e o peso do produto. Por outro lado, a escassez de umidade também é prejudicial, pois reduz o desenvolvimento do algodoeiro, podendo até interrompe-lo; ocasiona ainda a queda de flores e frutos, afetando em muito a produtividade e as fibras sofrem reduçao comprimento.
Solo
De maneira geral, em virtude da exigencia da cultura em nutrientes, os solos ideais sao os de média e alta fertilidade; os de fertilidade baixa deverao ser corrigidos com adubos químicos, principalmente com os fosfatados. A acidez é fator limitante para a produçao de algodao; em vista disso, essa cultura nao deve ser levada a solos com pH abaixo de 5,2, a nao ser que calcareie a terra a fim de corrigir a acidez. Quanto a alcalinidade do terreno, o algodao tolera até um pH igual a 8,4. A faixa ideal de pH para a cultura se estende de 6 a 7.
A grande maioria da parte radicular do algodoeiro se acha nos primeiros 20 cm do solo mas, em virtude de sua raiz ser pivotante, pode ser encontrada em profundidades até de 2 metros, requerendo solos profundos. Os rasos, como os litósios nao devem ser usados com o algodao.
Com referencia a textura, o algodoeiro suporta solos variando desde o arenoso até o argiloso, sendo preferidas as terras sílico-argilosas. As muito arenosas, em virtude de seus baixos teores de nutrientes, acidez e baixa disponibilidade de água, nao sao recomendadas em regioes úmidas; os solos muito argilosos também sao desaconselhados nessas regioes, pois a sua saturaçao pode prejudicar o desenvolvimento das plantas.
O algodoeiro nao suporta solos encharcadiços; os que tem sua drenagem interna impedida por uma camada impermeável, pelo fato de ficarem sem aeraçao suficiente, nao devem ser usados com a cultura, principalmente em regioes de alta queda pluviométrica.
A estrutura dos solos, ou seja, o arranjo das partículas distribuídas sob diferentes formas de agregados, interfere na maior ou menor circulaçao de ar e água do terreno. No caso dos solos pesados, a estrutura é de real importância, pois o algodoeiro requer solos bem arejados.
Topografia
Com relaçao a topografia do terreno, o algodao prefere solos planos ou levemente ondulados. Como é cultura que facilita a erosao, as terras escolhidas nao deverao apresentar declives maiores que 10%, principalmente se o solo for arenoso.
Plantio
Em se tratando de uma cultura mais tecnificada, diversas práticas agronômicas estio quase definitivamente consagradas.
Pequenas dúvidas existentes nao sao de molde a causar preocupaçoes aos lavradores, mas sao apenas detalhes que serao equacionados no devido tempo, através de experimentaçoes que continua sendo feita.
Preparo do solo
Na cultura do algodao, o preparo do solo deve ser feito com capricho, pois ele é importante para a germinaçao, para o desenvolvimento e para os cultivos. Quando a terra vem sendo ocupada há anos consecutiva com a mesma cultura, geralmente o solo se encontra em boas condiçoes de receber a araçao, pois a destruiçao das anteriores soqueiras de algodao deve ter sido feita em junho/julho e ainda nao houve tempo para desenvolvimento de nova vegetaçao. Nesse caso, uma araçao deve ser suficiente; recomendam-se duas araçoes em terreno muito praguejado de ervas daninhas. Mais de duas nao se justifica. Uma a duas gradeaçoes é suficiente. Há lavradores que tem por hábito fazer quatro, cinco ou mais gradeaçoes; isto é contra-indicado, pois o terreno nao deverá ficar pulverizado superficialmente.
A profundidade normal de araçao é de 30 cm, mesmo porque, a grande maioria das raízes do algodoeiro, assim como toda adubaçao, fica nos 20 cm, superiores do solo. Numa terra que vem sendo cultivada continuadamente é recomendável, a cada 5 anos, fazer uma araçao mais profunda; a finalidade desta é romper uma espécie de crosta que se vai formando na profundidade de 30 cm. do terreno, em virtude da continua araçao anual com tal profundidade. O rompimento desta crosta dará maior movimentaçao de ar e de água nesse solo.
Quando a gleba foi anteriormente ocupada com outra cultura, é aconselhável, antes da araçao, passar um rolo-faca ou uma grade de discos, a fim de favorecer o apodrecimento dos restos de cultura existentes.
Nas pastagens, com o fito de melhorar a decomposiçao do capim, aconselha-se preliminarmente, fazer uma araçao rasa, seguida de uma gradeaçao.
Quando o terreno é recém desbravado, em terras de mata ou capoeira, após a derrubada, se usar o fogo para queima da galhada o algodao deve ser precedido, pelo menos de 1 ano, por outra cultura, como o milho, por exemplo.
Uma gradeaçao ou talvez duas quando o terreno estiver com intensa sementeira as vésperas da semeaçao, sao suficientes. O importante é que a gradeaçao a ser feita após a araçao o seja logo em seguida, para que o destorroamento seja mais perfeito.
Época de plantio
A influencia do tempo é de grande importância na produçao, tanto em quantidade como em qualidade. As condiçoes climáticas variam de ano para ano, embora obedecendo a características definidas. Sendo assim, somente a experimentaçao por um longo período de anos pode indicar a melhor época.
É sabido que a época de semeaçao tem influencia também sobre a maior ou menor incidencia de determinadas pragas em certos anos.
Ultimamente, com a generalizaçao do uso de modernos inseticidas de solo e sistemicos, controlando com maior eficiencia algumas pragas, as épocas puderam sofrer ligeira, antecipaçao de 10 dias, em relaçao ao que ficara estabelecido há alguns anos atrás, representando isto várias vantagens para os agricultores. Na figura, as datas já estao modificadas.
A observância da época recomendada oferece maior possibilidade de exito para o agricultor dentro das variaçoes de clima a que está sujeita a lavoura. Temos safras em que o rigor da época de semeaçao passa despercebido, isto em anos que podemos chamar de "tolerantes", ao erro cometido na época de plantio. Na maioria das vezes, entretanto, o descuido é fatal.
Espaçamento
Quanto menor o desenvolvimento das plantas, mais cerrado deverá ser o espaçamento, ou vice-versa. Ao iniciar uma cultura de algodao, o espaçamento a ser empregado deverá levar em conta o provável desenvolvimento vegetativo das plantas sob condiçoes normais, devendo nos anos seguintes ser feitas as correçoes para chegar mais próximo do ótimo.
Os resultados experimentais de muitos anos correlacionadas as produçoes com a altura média das plantas indicaram que as melhores produçoes foram obtidas quando o espaçamento entre linhas correspondia aproximadamente a 2/3 (dois terços) da altura média das plantas.
O quadro abaixo refere a tres exemplos distintos de condiçoes de desenvolvimento das plantas e mostram o efeito do espaçamento sobre a produçao. Outras experiencias mostraram que mesmo fechando-se mais do que 2/3 da altura média das plantas, a produçao continua a aumentar ligeiramente, mas o entrelaçamento das plantas é tal e traz tantas dificuldades que torna pouco aconselhável essa prática exagerada.
ESPAÇAMENTO - Média de 5 Experiencias
Plantas de algodao atingindo em média 90 cm de altura
Espaçamento
em cm
Algodao em
caroço kg/ha
70 x 10
1215
90 x 20
1035
110 x 20
930
110 x 40
795
Fonte: Secçao de Algodao - IAC
Examinando os dados temos que na figura acima, em terras cuja fertilidade nao permite, em média, desenvolvimento maior que 90 cm de altura, deve ser aconselhado o espaçamento de 70 x 10 cm.
Na figura abaixo, quando as plantas atingem 120 cm de altura média, verifica-se novamente que espaçamento menor representa maior produçao. Para facilitar tratos culturais, podemos alterar ligeiramente e indicar 80 X 15 cm, ou seja, 7 plantas por metro linear.
ESPAÇAMENTO - Média de 5 experiencias
Plantas de algodao atingindo em média 1,20 cm de altura
Espaçamento
em cm
Algodao em
caroço kg/ha
70 x 20
1725
90 x 20
1620
110 x 20
1500
110 x 40
1380
Fonte: Secçao de Algodao - IAC
Na figura abaixo, o mesmo ocorre adotando como espaçamento ideal 100X20 cm, visando facilitar os tratos culturais. O lavrador conhecendo melhor as condiçoes de sua propriedade está habilitado a fazer os necessários ajustes, nunca esquecendo que se deve considerar a altura normal das plantas, uma vez que ela está sujeita a variaçoes naturais de ano para ano.
Espaçamento - Média de 4 experiencias
Plantas de algodao atingindo em média 140 cm de altura
Espaçamento
em cm
Algodao em
caroço kg/ha
90 x 30
1725
110 x 20
1650
130 x 20
1575
130 x 40
1410
Fonte: Secçao de Algodao - IAC
Semeaçao É uma operaçao que exige muito cuidado. Na melhor época, escolhida o espaçamento, a primeira preocupaçao é a calha de plantio. Esta deve ser superficial, cerca de 5 a 8 cm de profundidade, pois assim as sementes terao melhores condiçoes para a germinaçao e será mais fácil a mecanizaçao dos tratos culturais. Também já se observou que alguma proteçao será dada as novas plantinhas, com relaçao as rizoctoniose e antracnose, porque os sulcos rasos nao permitem acúmulo excessivo de umidade.
Convém lembrar aqui que é nesta oportunidade que se deve providenciar a marcaçao das linhas básicas do plantio em nível.
A adubaçao pode ser feita com adubadeira simples de traçao animal (uma linha) ou adubadeira maior, tracionada por tratores (duas ou mais linhas). Pode ser feita, assim como o sulcamento, simultaneamente com a semeaçao, dependendo do tipo de máquina empregada. O importante é a colocaçao correta do adubo em relaçao a semente, como já vimos anteriormente.
As semeadeiras, de traçao animal ou motora, possuem um dispositivo especial para bem distribuir as sementes. Estas devem cair em número de 30 a 40 por metro de sulco e serem cobertas com pouca terra. Justifica-se o emprego desta quantidade de sementes, que traz como conseqüencia, o gasto de 3 a 4 sacos por alqueire, o fato de nao se desejar correr o risco de ter lavouras falhadas.
Com condiçoes climáticas favoráveis processa-se a germinaçao, quase sempre com bom número de plantas, muito além daquilo que pretenderia deixar como definitivo.
Desbaste Também chamada raleaçao, é a prática de arrancar algumas plantas que consideramos como sobra, a fim de deixar na linha da cultura um número razoável delas, para que possam crescer e produzir livremente.
Na prática recomenda-se deixar 5 (cinco) plantas por metro de linha quando o espaço entre as fileiras é de um metro (p/ plantas que crescem até 1,50 m); de 7(sete) a 8(oito) plantas por metro de linha, quando o espaçamento entre as fileiras é de 80 cm (p/ plantas que crescem até 1,20 m). Espaçamentos menores que 80 cm, até 10 plantas por metro linear poderao permanecer.
Com dados experimentais já se comprovou que o desbaste deve ser feito entre 20 e 30 dias de vida da planta; a operaçao é mais perfeita com terreno úmido, razao pela qual, pode-se esperar cair uma chuva para depois se proceder a raleaçao. Porém, se nao chover até próximo dos 30 dias, o desbaste deve ser feito, mesmo com o terreno seco, pois esperar mais tempo pode ser prejudicial. A figura abaixo mostra a vantagem de desbaste quando feito cedo.
Desbate aos
Algodao em caroço
arroba/alqueire (24.200m2)
20 dias
220
35 dias
203
50 dias
176
65 dias
167
80 dias
123
Atençao: O lavrador quando for proceder a operaçao do desbaste, deve caminhar ao lado da linha de cultura para ve-la de um certo ângulo, pois assim ele poderá enxergar as plantinhas de menor porte, que sao, justamente as que deverao ser arrancadas, pois as mais vigorosas tem maior probabilidade de desenvolvimento normal e melhor proteçao.
Adubaçao em cobertura
Após 10 dias do desbaste, mais ou menos, faz-se a aplicaçao de nitrogenio em cobertura. Esta prática, feita ainda em muitas regioes a mao já tomou grande incremento, devido as vantagens que oferece conforme já vimos.
Hoje os lavradores procuram empregar máquinas simples e os resultados sao auspiciosos, pois o rendimento é muito maior. O adubo deve ficar em um filete continuo, retirado 20 cm da linha de plantas e sobre o solo.
Cultivo Generalidades
O algodoeiro é muito susceptível a concorrencia de ervas daninhas. Por essa razao ele deve ser mantido no limpo, isto é, livre das ervas daninhas desde a semeadura até próximo a colheita. Por sua vez, a terra, quando escarifícada superficialmente proporciona maior arejamento as raízes da cultura, embora também facilite a erosao.
Os cultivos tem por finalidade controlar as ervas daninhas e escarificar o solo. Eles podem ser manuais, mecânicos ou químicos.
O cultivo manual é feito por meio da enxada. Seu baixo rendimento e o elevado custo da mao de obra tornam-no oneroso. A tendencia é de o uso da enxada ficar restrito como complementar dos implementos mecânicos.
O cultivo mecânico pode ser efetuado com máquinas a traçao animal ou motorizadas. É preciso salientar que os cultivos devem ser rasos e que sua principal funçao é eliminar as sementeiras.
O controle químico das ervas daninhas pode também ser feito com herbicidas.
Os herbicidas aplicados sob incorporaçao devem ser colocados no solo antes do plantio; logo em seguida, deverá ser feita uma gradeaçao no terreno para que haja incorporaçao do produto químico. Depois se fará a semeaçao. Os do tipo pré-emergencia sao colocados no solo após o plantio, porém, antes que a planta desponte na superfície da terra. Há ainda os herbicidas do tipo pós-emergencia.
O uso de herbicida nao elimina por completo o uso de implementos necessários a escarificaçao do terreno.
Adubaçao e calagem
A adubaçao é uma das práticas mais importantes na cultura do algodao. A grande necessidade de aplicaçao de elementos químicos no solo, para que a produçao seja compensadora, tem sido bastante evidenciada experimentalmente.
Há, entretanto, uma circunstância especial para que o algodoeiro produza bem: é que a acidez do solo nao seja muito forte, pois ela é fator limitante para a produçao de algodao. Quando o pH do solo se apresenta de 5(cinco) para baixo, há necessidade de se corrigir a acidez do solo, principalmente se, na análise deste, aparecer íons de alumínio. A correçao se faz com aplicaçao de calcário no solo.
Necessidade da cultura
Experiencias em diversos tipos de solo tem evidenciado a grande vantagem da aplicaçao de adubos na cultura algodoeira. Com racional adubaçao obtém-se, em média, um aumento de 30% na produtividade dos algodoais em terras que já vem sendo cultivadas há anos.
O algodoeiro é esgotante sob o ponto de vista do consumo de nutrientes e da matéria orgânica que é considerável com a queima da soqueira.
Numa análise quantitativa do algodoeiro, em se referindo a absorçao de macronutrientes, apresenta-nos os seguintes dados:
Totais de Macronutrientes em Plantas Adubadas (quilos por hectare)
Partes
N
P
K
Ca
Mg
S
Raízes
5,8
0,22
3,2
1,1
0,7
0,8
Parte aérea vegetativa
48,8
3,92
38,6
49,5
7,2
21,9
Parte aérea reprodutiva
28,6
4,0
23,7
11,1
4,9
10,5
Totais
83,2
8,14
65,5
61,7
12,8
33,2
Fonte: Departamento de Química Agrícola - Esalq
Análises outras, feitas por pesquisadores diferentes, apresentam resultados semelhantes, com variaçoes ligadas provavelmente a diversos fatores, tais como: clima, solo, época de colheita de material, variedades, etc.
Entretanto, para recomendar uma adubaçao, nao podemos nos basear apenas nas quantidades de elementos retirados do solo, pois, se tal fizéssemos, poderíamos nos aproximar do certo no que se refere aos outros macronutrientes, porém erraríamos com relaçao ao fósforo, pois a necessidade de aplicaçao desse elemento no solo, a fim de se conseguir resultados satisfatórios é, no geral, bem maior do que a retirada dele pela cultura. Duas grandes razoes poderiam apresentar pela ocorrencia do tal fato. A primeira é que no geral, os solos do Estado de Sao Paulo sao muito pobres em fósforo. A segunda é que ao se colocar fertilizantes fosfatados no solo, este retém para si, temporariamente grande parte do elemento, cedendo uma porcentagem menor a cultura.
Adubaçao Para prescrever-se uma correta adubaçao, nao há dúvida alguma que a experiencia de campo, no local, seria o mais seguro, porquanto qualquer característica especial do terreno poderia aí se revelar. Entretanto, isto nem sempre exeqüível. Na prática há outros fatores que podem orientar o técnico na prescriçao de como adubar. Principalmente se pudermos obter um conjunto desses fatores, a prescriçao será mais adequada, seguindo os seguinte procedimentos:
Análise do solo Esta prática é a mais indicada e atualmente está bastante generalizada no nosso meio agrícola. É baseada nas análises de amostras de terra e nas informaçoes que os agricultores prestam em questionário especial, ao enviarem tais amostras aos laboratórios. Os resultados analíticos, quando feitos por estabelecimentos oficiais, geralmente vem acompanhados por recomendaçoes de adubaçoes adequadas para a cultura a ser conduzida no solo em tese.
Em geral, nos solos cultivados, verifica-se primeiro a falta de fósforo e em seguida de nitrogenio e potássio. Se as terras estiverem em pousio, com vegetaçao espontânea, relativamente densa ou mesmo com pastagens, nos primeiros anos de cultura de algodao nao é necessário aplicar fósforo; se ao contrário, vem sendo cultivadas repetidamente, há necessidade dos tres elementos. Tratando-se de solos constantemente adubados com fósforo, esse elemento deverá integrar as formulas em doses mais reduzidas, igualando-se ao nitrogenio e potássio. Em terras recém desbravadas, inicialmente recomenda-se outra cultura (o milho, por exemplo); pode-se até dispensar a adubaçao no primeiro ano com algodao, se a fertilidade observada no solo para com a cultura anterior mostrou-se grande.
Necessidades minerais Sintomas de eficiencias Minerais no Algodoeiro
Elementos Deficientes
Sintomas
Nitrogenio
Clorose uniforme, acentuando-se nas folhas mais velhas, que passam a mostrar mancha pardacenta no ângulo do lobo. Depois secam e caem prematuramente. Planta de porte baixo, pouco enfolhada, improdutiva. Tronco fino.
Fósforo
Cor verde da folha passa a pardecenta e depois a amarelo-bronze. Manchas ferruginosas, nas extremidadesdo limbo, dao aspecto de queimadas por fogo. Planta sem vigor, crescimento retardado, improdutiva
Potássio
O limbo foliar aprsenta matiz verde-claro-amarelo. Proeminencia das nervuras. Necrose de toda a periferia da folha. Manchas pardo-avermelhadas na nervura; com o progresso, essas manchas se reunem e todo o limbo fenece, apresentando coloroçao pardo-chocolate, com os bordos revirados para baixo. Queda prematura das folhas mais velhas, dando plantas desfolhadas. Vasos das raízes escuras. Semente com pouco óleo.
Cálcio
Plantas raquíticas, improdutivas, praticamente reduzidas ao caule. Folhas murchas, soltam-se com facilidade; as que persistem mais, exibem coloraçao veermelho-sangue.
Magnésio
Descoloraçao de limbo foliar nos espaços entre as nervuras, margeando as quais permanecem faixas de cor verde normal. Mais tarde, todas as nervuras ficam verdes, enquanto que o resto do limbo é vermelho-púrpura, formando belo contraste. Queda prematura das folhas inferiores.
Enxofre
Clorose forte das folhas do broto terminal, progredindo para as folhas mais velhas. Coloraçao verde-limao típica. Limbo foliar brilhante no início e sem brilho depois. Plantas improdutivas, rebrotaçao de gemas vegtativas na parte inferior do caule.
Fonte: Guia para reconhecimento das deficiencias minerais do algodoeiro - Boletim 118
Como já foi visto neste quadro, o algodoeiro, em sua estrutura, apresenta-nos em análise, maior quantidade de nitrogenio e potássio que de fósforo; porém, sabe-se experimentalmente, que a necessidade de provisao desse elemento no solo é, no geral, bem maior que a dos outros.
Nem sempre a quantidade de elementos empregada numa adubaçao, embora corresponda experimentalmente a maior produçao da cultura, é a recomendada. Fatores econômicos influem diretamente no caso, pois, desde que o aumento de produtividade nao corresponda, em cruzados, ao dispendio feito com a quantidade de adubo empregada a mais, nao haverá vantagem econômica nesse acréscimo de fertilizante.
A capacidade do algodao em assimilar os nutrientes varia de acordo com determinadas épocas. Contudo, o fósforo e o potássio podem ser postos no solo na ocasiao do plantio, pois ficam a disposiçao da planta durante todo seu ciclo vegetativo. Quanto ao nitrogenio, tendo em vista sua facilidade de lixiviaçao, ele deverá ser empregado na época em que sua assimilaçao pelo algodoeiro seja mais intensa, que é ao redor dos 40 dias de vida da planta.
Escolha de adubos Grande número de experiencias já mostrou quais os fertilizantes que preferivelmente se deve empregar na adubaçao do algodoeiro. Naturalmente, aliado ao conhecimento dos resultados experimentais, o bom senso e o fator econômico indica o caminho certo ao técnico.
Com relaçao ao nitrogenio, pode-se afirmar que os adubos minerais solúveis sao superiores as tortas em geral, já que podem ser aplicados em cobertura e seus efeitos aparecem logo. As tortas, além de nao atenderem a essa necessidade, prejudicam enormemente o estande de germinaçao, se, quando postas no sulco, na ocasiao do plantio, acontecer de entrarem em contacto com as sementes do algodao. Contudo, é o fator econômico o mais importante no caso.
Em se referindo aos adubos potássicos, tanto o cloreto como o sulfato do potássio é recomendado indistintamente pelo seu valor químico; em igualdade de preço preferir o cloreto que apresenta 10% de unidade a mais de potássio. As cinzas sao de importância ocasional e local; geralmente nao há no comércio, porém, quando houver, poderao ser usadas sem restriçao.
Já no que diz respeito ao fósforo, experiencias tem demonstrado a superioridade do superfosfato sobre outros fertilizantes fosfatados, quando postos na cultura algodoeira.
Entretanto, com o continuo uso do terreno anualmente adubado, essa vantagem tende a diminuir e poderá até desaparecer devido ao poder residual acumulativo que os fosfatos apresentam. Se conseguirmos, por meio de adubaçoes fosfatadas anuais, elevar o teor de fósforo da soluçao do solo a um nível ótimo, poderemos dali para frente fornecer a este solo apenas a quantidade de reposiçao do elemento retirado pela cultura; essa reposiçao do fósforo poderá ser feita por meio de qualquer fertilizante fosfatado, pois a vantajosa característica do superfosfato de se apresentar solúvel em água já se torna desnecessária nesse caso, em vista do solo ter sempre uma quantidade ótima de fósforo solúvel em sua soluçao. Porém, como nao é fácil atingir esse estado ideal do terreno quanto ao fósforo, e, considerando que geralmente nossas terras se apresentam deficitárias desse elemento, o superfosfato deve continuar a reter a preferencia nas adubaçoes do algodoeiro, entrando, na pior das hipóteses, com a metade dos fertilizantes fosfatados na fórmula.
Aplicaçao dos adubos É muito importante a maneira de se aplicar os adubos na cultura do algodao. Os fertilizantes fosfatados e potássicos que serao colocados no solo na época do plantio, e fim de evitarem-se danos no momento da germinaçao, devem ser aplicados de forma a ficarem uns 5cm para o lado e de 3 a 5cm abaixo do nível das sementes. Na falta de semeadeiras-adubadeiras conjugadas lateral, que fazem esse trabalho com perfeiçao, convém, embora com menor eficiencia, fazer esse serviço em duas operaçoes, primeiro adotando e depois semeando; neste caso, se possível for, é interessante separar por um ou mais dIas, essas operaçoes. A secçao de Algodao do Instituto Agronômico de Campinas já tem dados experimentais a respeito e é concludente a vantagem do uso de máquinas conjugada lateral com relaçao as outras maneiras observadas de semear e adubar.
Com referencia aos adubos nitrogenados solúveis, dois terços deles devem ser postos em cobertura ao redor dos 40 dias após o plantio.
O fertilizante deve ser posto em linha distendo uns 20 cm do pé da planta, sempre do lado de cima, se o terreno tiver declive. Ha máquinas que fazem a distribuiçao no meio das linhas com bastante facilidade, embora talvez com pouco menor aproveitamento da planta.
O parcelamento em duas épocas de aplicaçao do nitrogenio (aos 30 e 60 dias de vida da planta) tem sido usado com bom resultado por alguns cotonicultores. Resta-nos observar se é econômica tal maneira de proceder, pois teremos que computar aí maior disponibilidade de mao de obra.
Adubaçao Verde A prática de adubaçao verde para a cultura algodoeira é, oportunamente, de grande eficiencia.
Nos solos em geral e nos arenosos em particular, após anos continuados de cultivo de algodao, a queda de produçao é notória. A adubaçao mineral contorna essa perda de fertilidade das terras até o ponto em que o teor de matéria orgânica das mesmas nao baixe de certo nível; dai para frente o efeito dos fertilizantes químicos já nao serao acentuados e, conseqüentemente, haverá necessidade de recorrer a adubaçao verde.
As leguminosas sao preferivelmente as escolhidas como adubos verdes porque, além de conterem porcentagens regulares de fósforo, potássio e cálcio, as bactérias de seus nódulos radiculares fixam o nitrogenio atmosférico.
A quantidade de matéria orgânica acumulada no solo com a adiçao de um adubo verde varia com sua natureza. Naturalmente, para que essa quantidade seja apreciável há necessidade da prática por vários anos, embora seus efeitos já se manifestem no primeiro ano. Quando combinada com adubaçoes minerais, chegam entao a provocar produçoes espetaculares; experiencias realizadas pela Secçao de Algodao do Instituto Agronômico de Campinas, nas regioes de Presidente Bernardes e Sao José do Rio Preto, apresentaram resultados evidentes de que, quando efetuadas simultaneamente, a adubaçao verde-mineral provocou um aumento de produçao de algodao maior do que a soma dos aumentos de produçao obtidos com cada uma separadamente, embora essas últimas já mostrassem alta significância em relaçao a testemunha nao adubada.
Esses aumentos de produtividade que a adubaçao verde propicia (principalmente a mucuna preta) nao devem ser atribuídos unicamente a matéria orgânica que ela incorpora ao solo; sua açao é mais complexa, parecendo inclusive exercer certo controle para nematóide.
A relaçao Cálcio/Nitrogenio é mais importante que o próprio peso da matéria orgânica adicionada ao solo. Por essa razao há época propícia para o corte da leguminosa plantada; essa época deve ser no inicio do florescimento.
A mucuna preta, que se tem mostrado como um dos melhores adubos verdes, é recomendada da seguinte maneira: plantar em outubro (início das águas); no começo de seu florescimento, passar uma grade de disco; essa máquina irá machucar a planta em diversas partes, possibilitando entao, o ataque de microorganismos ao vegetal, que irao provocar-lhe a decomposiçao; com intervalos de 20 dias, a grade de disco poderá ser passada mais duas vezes; com isso consegue-se um acamamento uniforme de toda a massa e esta será incorporada com facilidade ao solo, quando ele for arado.
As vantagens de tal método sao:
- Adicionar ao solo matéria orgânica na sua melhor relaçao C/N;
- Deixar a superfície do terreno melhor protegida do calor solar e, conseqüentemente, preservar mais a umidade do solo; e
- Evitar o desenvolvimento de ervas daninhas.
Quando a adubaçao verde é aconselhada pelo técnico, o inconveniente que o agricultor apresenta, sempre é o mesmo: tendo o terreno que ficar durante uma safra com uma leguminosa, nao haverá renda econômica. Todavia, o aumento na produçao do algodoeiro nos anos subseqüentes (a mucuna preta apresenta efeito só um ano) é tao grande que talvez compense o ano que nao se plantou algodao e, como foi dito antes, há ocasiao em que a incorporaçao de matéria orgânica no solo torna imprescindível.
Hoje, um tipo de adubo verde se destaca pela economia: a crotalária júncea. Essa leguminosa adquiriu certa importância desde que sua fibra foi reconhecida como uma das melhores na fabricaçao de papel para cigarros. Em vista disso, existem firmas industriais que passaram a se interessar pelo incremento da cultura e fazem, com o lavrador, contrato de adquirir toda a produçao de fibra e semente da crotalária júncea plantada. É uma oportunidade para o cotonicultor paulista fazer uma economia adubaçao verde; é óbvio que essa chance seja temporária, porquanto o compromisso das firmas irá até o limite de produçao de fibras que lhes proporcione um estoque nao exagerado.
Outra maneira econômica de se praticar a adubaçao verde é rotar o algodao com o milho; quando este já sofreu cultivo e a adubaçao nitrogenada em cobertura já foi feita, o lavrador semeia a mucuna entre o milho, aproveitando o terreno já limpo. Tecnicamente a semeaçao da mucuna seria recomendada mais tarde, na época do florescimento do milho, porém acontece que nessa ocasiao o terreno já estará novamente praguejado de ervas daninhas, e se nao fizer outra capina, o mato poderá abafar a leguminosa após sua germinaçao. Depois do milho colhido, na época do florescimento da leguminosa, a grade de disco entrará no terreno.
Adubaçao orgânica
Os adubos orgânicos (tortas e estercos) nao sao empregados na cultura do algodao, em vista de seus benefícios, como fornecedores de elementos essenciais, serem irrisórios perante os dos adubos químicos. Devido o grande volume necessário para o aparecimento de pequenos efeitos, tornam-se antieconômicos. Melhor seria que fossem reservados para outras culturas, principalmente as perenes.
Se considerarmos que a lavoura de algodao irá ser feita em um solo relativamente esgotado de matéria orgânica, poderemos nos recorrer a adubaçao verde que nos forneceria um volume de massa mais compensador, sendo ainda melhor, quando enquadrado num sistema de rotaçao de culturas.
Todavia, o caso nao é para se desprezar por completos adubos orgânicos, pois eles sao muito melhor "enchimento" do que areia ou outra matéria inerte qualquer, quando empregados para se completar, em peso ou volume, uma determinada fórmula. Mesmo aqui, somos obrigados a observar se a parte fosfatada da fórmula nao é trazida por um fosfato de fusao, ou se a parte nitrogenada nao é fornecida pelo nitrato de cálcio, pois esses adubos sao geralmente incompatíveis com os adubos orgânicos.
Adubaçao Foliar
A observaçao revelou uma maior tolerância do algodoeiro as soluçoes mais concentradas de uréia do que as de sulfato de amônio e muito menos de nitrato de sódio. A soluçao de uréia chegou a concentraçao de 15% sem que a planta apresentasse qualquer sintoma de ressentimento, ao passo que as outras já com concentraçoes inferiores (4 a 6%), hostilizavam o algodoeiro.
Calagem
Quanto menos ácido, melhor será o solo para produzir algodao; as mais altas produçoes se obtem em terras com pH em torno da neutralidade.
Essa afirmativa é baseada na conclusao tirada ao se observar grande número de resultados de colheitas nos quais variados tipos de solo e dos quais, de antemao, se conhecia o pH.
Sendo o algodao uma planta pouco tolerante para com a acidez acentuada do solo, ele exige que o pH deste esteja relativamente próximo do neutro para que haja sucesso em sua produçao. Terras cujo pH acusa de 5 para baixo nao sao recomendáveis a cultura algodoeira; o agricultor que quiser aproveitá-las é obrigado a recorrer a calagem, a fim de corrigir sua acidez; caso contrário, a cultura estará fadada ao fracasso, porquanto nao adianta bem adubá-la e tampouco aplicar outras práticas culturais recomendadas, pois a acidez, sendo um fator limitante de produçao, nao deixa que o algodoeiro se desenvolva e obtenha suficiente carga de maças.
Experiencias tem demonstrado tal fato. Entretanto, o emprego do calcário nao pode ser preconizado a indiscriminadamente, pois seus efeitos sao dignos de estudo.
Entre as vantagens, a correçao de acidez do solo é universalmente reconhecida; o suprimento de cálcio e magnésio a planta (empregando-se o calcário dolomítico), uma vez constatada a deficiencia desses elementos, também é patente; com a calagem poderá ocorrer uma maior disponibilidade do fósforo nativo do solo, no caso deste estar rico de sesquióxido de ferro e alumínio, pois esses compostos fixam o fósforo em forma nao aproveitável e, como dao bases fracas, serao desalojados pelo cálcio nos fosfatos; o cálcio, em conseqüencia da correçao da acidez, provoca o aumento da atividade de microorganismos úteis do solo (bactérias), que vivem melhor em ambiente de pH acima de 6; assim também, em virtude da elevaçao do pH, a calagem evita o aparecimento de certos fungos causadores de moléstias que se ambientam em pH baixo; como elemento floculante de colóides que é, o cálcio torna os solos argilosos menos compactos, facilitando sua aeraçao e seu preparo mecânico.
Porém, se por um lado, efeitos espetaculares sao propiciados pela calagem, pode acontecer que o uso inadequado do corretivo, principalmente em doses elevadas e em épocas inoportunas, aliado a nao complementaçao de uma conveniente adubaçao, proporcione efeitos danosos a cultura. Foi observada uma diminuiçao nos teores de fósforo solúvel e potássio trocável da terra, que se acentuava com o aumento da dose de calcário empregada. Geralmente dosagem forte de calcário, principalmente se posta no terreno em época próxima do plantio, devem ser acompanhadas de grandes doses de fertilizantes fosfatados e potássicos. Isso pode influir na economia da cultura.
Por essa razao, costuma-se recomendar que a aplicaçao do calcário no solo seja feita com antecedencia de 3 meses antes do plantio; no mínimo 2 meses. Tem-se notado que quando a quantidade de calcário empregado é dividida em duas parcelas, colocando-se a primeira no solo e depois fazendo-se uma araçao no mesmo para só depois aplicar a segunda parcela na superfície da terra, os resultados tem sido melhores do que a aplicaçao total do calcário em uma só vez.
Quanto as quantidades recomendadas, estas poderao estar baseadas na análise da terra. Todavia, podemos garantir que os terrenos argilosos exigem maior quantidade de calcário que os arenosos para elevaçao do pH. Terrenos ricos de matéria orgânica também sao exigentes, pois está comprovado que tanto o húmus como a argila influem nas dosagens de calcário recomendadas.
Cálculo da Adubaçao e Calagem
A adubaçao e a calagem em algodao devem ser feitas com base na análise de solo.
Calagem: A quantidade de calcário é calculada pela fórmula:
N.C. =
T(V2 - V1)
x f
100
- N.C.: é a quantidade de calcário a aplicar em tonelada por hectare; - T : é a capacidade de troca de cátions; (T = Ca + Mg + K +Al + H; informaçoes dadas pela análise de solo); - V1: porcentagem de saturaçao de bases; V1 = 100 S dada pela A.S.
T - V2: saturaçao em bases exigidas pela cultura; V2 pode variar de uma cultura para outra; V2 para o algodao é 70% - f: fator de correçao para quantidade do calcário; f = 100 ; usar f=1,5
PRNT
Aplicar metade do calcário antes da araçao e metade depois da araçao e antes da gradagem.
Adubaçao orgânica: Sempre que possível incorporar matéria orgânica ao solo, através da adubaçao verde, incorporaçao dos restos culturais, aplicaçao de estercos, palhas, cascas ou torta de mamona (100 kg/ha).
Adubaçao mineral no plantio: Além do fósforo e potássio aplicar 10 a 30 Kg/ha de nitrogenio e 0,5 Kg/ha de boro. Em cobertura: Aplicar de 30 a 50 Kg/ha de nitrogenio; metade por ocasiao do desbaste e metade no início do florescimento.
Rotaçao de culturas Esse sistema de cultivo, em que duas ou mais culturas diferentes se revezam na mesma gleba de terra, em determinada ordem, visa manter a fertilidade do solo, possibilitando aos agricultores melhores condiçoes de produçao dentro do período considerado para as culturas que entram no esquema.
Inúmeros experimentos, confirmados pela grande lavoura, mostram que a contínua utilizaçao de uma mesma gleba de terra, com uma só cultura tende a acarretar quebra na produtividade, com o correr dos anos. Este fato se dá principalmente com o algodoeiro; pois, salvo honrosas exceçoes em culturas feitas por cotonicultores bem orientados, o que se observa é que, nos solos em geral e nos arenosos em particular, após anos continuados de cultivo de algodao, a queda de produçao é notória. A adubaçao mineral já nao chega a apresentar os efeitos esperados, porquanto a matéria orgânica do solo vem continuamente caindo para níveis muito baixos.
O emprego da rotaçao de culturas bem orientada e planejada, pode perfeitamente tornar estanque essa queda de produtividade, pois propicia diversas vantagens, a seguir expostas:
Manutençao da fertilidade do solo: quando se processa a rotaçao do algodao com outras culturas (principalmente leguminosas), casos pacíficos sao os benefícios que ocorrem no solo, tais como:
a) Mantém as características físicas do solo, pois a rotaçao concorre para melhor aeraçao e movimentaçao líquida no terreno;
b) Evita a concentraçao de substâncias tóxicas no solo, comum a monocultura;
c) Mantém o equilíbrio da fauna e flora microbiana, pois há enriquecimento de matéria orgânica no solo. As análises de terra anteriores e posteriores a rotaçao nos demonstraram o fato. Sem considerar inúmeros outros resultados de que temos conhecimento, podemos apresentar aqui apenas os resultados de análises processadas em alguns campos de observaçao por nós instalados.
Vantagem na produçao: Dados experimentais atestam o aumento da produçao do algodoeiro em rotaçao com a mamona, milho e amendoim. As figuras abaixo nos mostram o fato. Campos de Observaçao de Rotaçao de Algodao com milho + mucuna, apresentaram resultados positivos.
Controle de pragas e doenças
É um dos benefícios que a rotaçao de cultura proporciona. Embora saibamos que o controle das pragas é complexo, principalmente pela fácil locomoçao dos insetos, existem, porém, casos específicos em que a broca e a lagarta rosada sao relativamente controladas por esse sistema de cultivo.
A rotaçao tem ainda influencia no controle de certas doenças, tais como a ramulose e a murcha do Fusarium. Observaçoes feitas em zonas infestadas por essa última doença, assim como pelo nematóide causador de "galha" (Meloidogyne incognita) no Estado de Sao Paulo, evidenciam como o amendoim pode ser indicado como uma das culturas ideais para rotar com o algodao nessas regioes. A mucuna preta, que também o é, deixa, todavia de ser cultura economicamente explorada.
Combate a erosao
Por permitir a execuçao de culturas em faixas, a rotaçao facilita medidas de conservaçao do solo. Pode-se manter as faixas com lavouras previamente escolhidas, recomendando-se, para maior eficiencia, combinar culturas que facilitam a erosao (no caso o algodao) com aquelas que a dificultam. Consideremos aí, que esse sistema só deverá ser empregado para declives de terreno inferiores a 10%. As faixas de cultura ocuparao alternadamente os lugares na gleba de terra.
Manutençao da mao de obra
A coexistencia de várias lavouras numa propriedade agrícola pode permitir melhor distribuiçao da mao de obra durante todo o ano, diminuindo períodos de acúmulo ou falta de serviço e garantindo a mao de obra durante todo o ano. Para tanto, deve-se contar com lavouras, as quais tenham ciclo de plantio, tratos culturais e colheitas nao simultâneas, como por exemplo, o algodao e o amendoim e outras mais.
Conservaçao do solo
Com relaçao a conservaçao do solo nos algodoais, o ponto mais importante é o relativo ao controle da erosao.
Sabe-se que o algodoeiro é muito exigente em tratos culturais, devendo estar sempre livre de ervas concorrentes, o que torna o solo muito exposto ao desgaste provocado pelas águas das chuvas.
Como os especialistas no assunto afirmam categoricamente que em glebas com declividade além de 12% o algodao nao deve ser cultivado, fica evidenciado o valor que tem a orientaçao no sentido de escolher bem a gleba para a cultura.
Sendo a água vital para a planta, a perda de 7,2% do total das precipitaçoes constitui elevado prejuízo para a cultura.
O mínimo exigido, como prática conservacionistas, é o plantio em nível. A medida que o lavrador melhora seu sistema de controle até o ideal, que será o terraceamento, aumentam as possibilidades de exito. Mesmo porque até a produçao de plantas, por unidade de área, fica seriamente comprometida pela açao das enxurradas, quando pesadas chuvas ocorrem nos primeiros dias após a semeadura ou quando as plantas estio novas.
Devemos notar que estando ainda a cultura algodoeira situada, na sua maior parte, em solos muito susceptível a erosao maior atençoes deverá ser despendidas ao problema.
Colheita
A principal meta numa colheita de algodao deve ser: colher o máximo, sem prejuízo de tipo e qualidade. Todavia, para isso, diversos fatores tem que ser levados em consideraçao, tais como: clima, variedade, solo, adubaçao, época de plantio, espaçamento, cultivo, combate as pragas, etc.
A colheita é uma operaçao importantíssima, pois a qualidade e o tipo do produto dependem do capricho com que ela é feita.
A geral e constante preocupaçao do lavrador de torná-la o mínimo onerosa e o máximo rendosa no volume de algodao colhido, pode influir negativamente na qualidade e tipo do produto que vai, assim, receber deságio no seu valor. É necessário observância das técnicas recomendadas a fim de que seja vantajosa para o lavrador, para o maquinista e para o industrial.
Fatores que influem na colheita Clima e variedade: É necessário equacionar-se a relaçao entre clima e variedade, para que a colheita de algodao se processe da melhor maneira.
As variedades paulistas de algodao, quando plantadas entre outubro e novembro, fogem, na colheita, dos rigores pluviométricos, pois começam no geral a ser colhidas em março, com maior volume entre abril e maio, podendo se estender a junho. Isto ocorre em anos normais, quando na primavera as chuvas sao moderadas, intercaladas com temperaturas amenas e dias ensolarados; verao com chuvas mais abundantes, sem, entretanto prejudicar a luminosidade e a temperatura; e finalmente outono (época da colheita), com temperatura amena e um mínimo de chuvas.
Ocorrencias anormais em alguns anos, tais como: secas prolongadas na primavera, falta de chuvas no verao e quedas de temperatura, influem diretamente na colheita. Por sua vez, temperaturas muito altas no outono podem acelerar a maturaçao e o algodao sofrerá depreciaçao na qualidade, já que a formaçao de capulhos nao se processa normalmente nessas condiçoes.
Portanto, as variedades usadas devem ter características que se adaptem as condiçoes locais. A precocidade de uma variedade é característica importante para certos países. Na Rússia, por exemplo, assim é, para que o algodao possa ser colhido antes que cheguem as geadas. No Brasil, na zona meridional, as variedades devem permitir a colheita a partir de março, mas, por um período nao muito longo, evitando assim, nao só as baixas temperaturas que advirao no fim do outono, como também maior incidencia de pragas (lagartas e percevejos) que atacam os capulhos, apodrecendo-os.
Outras características das variedades para nós importantes sao o tamanho e deiscencia dos capulhos. No tipo de colheita manual há maior rendimento quando os capulhos silo grandes e bem abertos.
A resistencia as intempéries é também característica positiva. Solos e adubaçoes: A fertilidade do solo e o tipo de adubaçao tem influencia decisiva na colheita. Um solo recentemente desbravado, se coincidir de ser rico em matéria orgânica e pobre em fósforo, poderá dar a cultura um desenvolvimento vegetativo, exuberante, sem, contudo possuir boa carga de capulhos e, mesmo esses irao se abrir tardiamente, pegando entao baixas temperaturas, o que é prejudicial.
O mesmo acontecerá se, num solo fizermos uma adubaçao rica em nitrogenio e pobre ou nula em fósforo.
Quando nao corrigidas terras ácidas impossibilitam o crescimento das plantas, advindo entao uma colheita ruim quer pela produçao de maças, como também pela forçada e incômoda posiçao que teriam de tomar os colhedores na operaçao.
Por sua vez, uma adubaçao intensiva e desproporcional de fósforo para com os outros elementos - nitrogenio e potássio - pode ocasionar abertura prematura do fruto, em detrimento da qualidade das fibras que poderao ainda estar imaturas.
Vemos, pois, que o desenvolvimento da planta, a produtividade, a boa formaçao de fibras, a deiscencia do fruto e conseqüentemente a boa colheita, dependem muito de uma adubaçao racional e eqüitativa da cultura.
Época de plantio e espaçamento
Em alguns anos em que as chuvas chegam cedo (setembro), a tendencia do cotonicultor é plantar antes da época recomendada. Isso pode causar grande inconveniente a colheita que se processará em fevereiro, mes de muita chuva.
Também atrasar demais a época de plantio é prejudicial, pois a colheita ocorrerá em meses com baixas temperaturas e poderá haver ainda maior incidencia de lagartas e percevejos.
Quanto ao espaçamento, este nao deve ser muito reduzido, porque, pela falta de aeraçao e luminosidade, as maças podem tender ao apodrecimento e nao se abrirao normalmente.
Cultivo e combate as pragas
Os tratos culturais, manuais ou mecânicos, de acordo com a maior ou menor ocorrencia de mato, devem ser feitos sempre oportunamente para que a lavoura se conserve no limpo, até a época da colheita; o algodao no mato, como cipós e carrapichos, constitui um empecilho para uma boa colheita, além de alterar o tipo e a qualidade do produto, sem conter que essas impurezas, quando levadas no algodao, podem ocasionar transtornos nas máquinas de benefício.
O perfeito controle das pragas durante o desenvolvimento da cultura é outro fator preponderante no exito da colheita. Nao basta praticar o saneamento da lavoura; é preciso faze-lo corretamente para que depois haja condiçoes de colheita, com capulhos bem abertos, sem algodao manchado e, se possível, na ausencia de carimas.
Tipos de colheita
O rendimento e o tipo do algodao silo bastante dependentes da operaçao colheita, pois o capricho nesta, concorre diretamente na melhoria daqueles.
O algodao pode ser colhido de duas maneiras; com emprego de máquinas ou manual.
Colheita mecânica
Seu emprego vem crescendo em alguns países, por contarem com máquinas e condiçoes adequadas.
Sao dois os tipos de máquinas aí empregados: o de fuso, que retira apenas o algodao em caroço e o tipo dotado de um sistema de roldanas, que retira capulhos inteiros e os invólucros. Este último oferece maior rendimento que o primeiro, apresentando, porém maior quantidade de impurezas. Aliás, a colheita mecânica de qualquer tipo, embora seja sempre mais rápida que a manual, sofre perdas de produto bem maiores que esta. As perdas sao na ordem de 15 a 17% na colheita mecânica e de apenas 5%, na manual. Além das perdas, o rendimento no benefício é bem menor, devido a quantidade de impurezas que levam. Essas ocorrem na ordem de 35% para o algodao colhido mecanicamente e de 5% para o colhido manualmente.
Em vista disso, na usina, o beneficiamento do algodao colhido mecanicamente requer tratos especiais, com inclusao de máquinas, tais como os secadores e extratores que sao disponíveis quando o algodao é colhido a mao.
Colheita manual
Em Sao Paulo, como no Brasil, a colheita manual é ainda a única que tem sido usada. Todavia, a disponibilidade de mao de obra é um problema que vem se tornando, de ano para ano, mais sério; rareiam-se os colhedores na quantidade e qualidade e cada vez cobram mais.
A quantidade de algodao que um colhedor consegue apanhar num dia de serviço depende de vários fatores: habilidade do homem, características da planta, produtividade da gleba, etc.
Um colhedor, em média, colhe 45 quilos (3 arrobas) de algodao por dia. Numa turma selecionada, esta média poderá subir para 80 quilos (4 arrobas). Há, entretanto, colhedores excepcionais que chegam a atingir o alto rendimento de 120 quilos (8 arrobas) diários.
Recomendaçoes práticas
Para se efetuar uma boa colheita é necessário que atentemos para algumas recomendaçoes que julgamos serem muito úteis. Sao elas:
- Iniciar a colheita quando mais da metade dos capulhos estiver aberta;
- Colher o algodao em dias secos. Nas primeiras horas da manha também nao sao indicadas para esse serviço, pois o algodao ainda se acha orvalhado;
- Manter a lavoura no limpo, dando, se necessário, ligeiro repasse próximo a época da colheita;
- Nao se deve colher carimas. O verdadeiro carima (que na língua indígena quer dizer farinha), é na planta o resultado funesto provocado por um fungo (Colletotricum gossypii). Porém na prática, chama-se carima, capulho de algodao mal aberto, doente, seja qual for a razao;
- O algodao do baixeiro deve ser colhido separado, pois no geral ele é mais sujo que o algodao do meio e dos ponteiros. Se houver mistura, o lavrador estará concorrendo para depreciaçao do tipo de seu próprio algodao;
- Jogar o algodao em balaios colocado próximos do colhedor, ou em sacos a tiracolo, quando se está habituado com eles. Desfazer-se rapidamente do produto, sem esperar que a mio esteja cheia.
Cuidados após a colheita
Uma vez colhido, o algodao deve ser ensacado para a armazenagem. Antes, porém, temos que ter muita atençao para que o produto nao esteja úmido. A umidade é o maior inimigo para a armazenagem. A umidade ideal do algodao é 8%, todavia, pode chegar a 10%. Se ultrapassar esse limite, já se torna perigosa a ocorrencia de fermentaçao, o que se dará fatalmente no algodao com 15% ou mais de umidade. Isso tem que ser evitado a todo custo, pois o produto pode ser desclassificado por esse dano.
Entao, depois de colhido, o algodao deve ser exposto ao sol para que fique seco. Essa operaçao deve ser feita em cima de oleados ou panos para nao sujar o algodao; o próprio campo ou terreiros serao os locais.
Por outro lado, o algodao nao pode ficar por muito tempo exposto a insolaçao, pois, quando muito seco, pode ter suas fibras prejudicadas durante o beneficiamento, o que deve ser evitado.
Para o enfardamento, o ideal seria usar-se sacos de tecidos de algodao, porém sao mais comuns os sacos de estopas, muitas vezes fornecidos pela própria usina de benefício. Isso prejudica em parte a qualidade do algodao, pois muitos fios desses sacos se misturam com a fibra do algodao e atravessam o beneficiamento para chegarem as indústrias de tecelagem. O mesmo acontece com fios de sisal, que é o material de que geralmente sao feitas as cordinhas que amarram a boca dos sacos, cuja capacidade varia de 45 a 60 quilos de algodao em caroço.
A separaçao de tipos deve ser feita no ato de enfardamento, a fim de aumentar as possibilidades de melhores preços na comercializaçao.
Nao se deve forçar a capacidade dos sacos, pilando, isto é, socando muito o algodao; isso dificulta o benefício e prejudica a fibra do mesmo.
O armazenamento na propriedade agrícola requer também cuidados para que o produto nao fique exposto a presença de animais, principalmente aves, cujas penas, as vezes, silo incorporadas ao algodao, o qual será depreciado.
Para esclarecer qualquer duvida entre em contato com nossa equipe.