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  Amendoim

Classificaçao botânica
Uma planta dicotiledônea, da família Leguminosae, subfamília Papilonoideae, genero Arachis.
As espécies mais importantes do genero sao A. hypogaea L., A. prostrata Benth e A. nhambiquarae Hoehne. As variedades cultivadas pertencem a primeira espécie.

História
Quando chegaram ao Brasil, os colonizadores lusos aqui já encontraram a cultura do amendoim, originária desta terra, que os índios plantavam e consumiam e que hoje é responsável por grande parte dos Óleos comestíveis que produzimos. Da produçao total Sao Paulo respondia por 70%, principalmente as regioes da Alta Paulista e da Alta Sorocabana.
As sementes de amendoim proporcionam elevada rentabilidade de óleo de fácil digestao (45 a 50%), possuindo altos teores de vitaminas.

Utilizaçao
O amendoim (cientificamente, Arachis hypogaea L.) é uma leguminosa com processo especial de frutificaçao, denominado geocarpia, em que uma flor aérea, após ser fecundada, produz um fruto subterrâneo. Suas flores sao amarelas, agrupadas em número variável ao longo do ramo principal ou também dos ramos secundários, conforme a variedade ou o tipo vegetativo. Todas sao potencialmente férteis e hermafroditas, autógamas, com baixa porcentagem de cruzamentos naturais.
Seu período de florescimento é bastante dilatado, havendo épocas de aparecimento de maior número delas, e seu fruto (ou vagem) para a Botânica é um legume. Dependendo das condiçoes ou das características de variedades, a vagem pode apresentar lojas sem sarnentos ou com sementes atrofiadas. Na variedade roxa (tipo vegetativo valencia) é uma peculiaridade a ocorrencia de uma loja vazia em grande número de vagens. As sementes, provenientes dos óvulos, constituem a parte de maior interesse econômico, devido ao seu elevado teor de óleo comestível, ultrapassando 40% em algumas variedades.

O óleo do amendoim é de fina qualidade, tal como foi classificado por Lewkowitsh em comunicado a Sociedade de Química Industrial de Londres. Preparado com toda a técnica moderna conserva-se perfeitamente bem, nao ficando rançoso com facilidade, como acontece com o azeite de dende e outros óleos. A vantagem que temos na produçao do óleo resulta da facilidade na obtençao da matéria prima. Em nosso país, até final da década de 80, o amendoim se comportou muito bem e o aumento progressivo do consumo do óleo tem impelido muitos lavradores a optar por sua cultura. A elevaçao do consumo vem sendo registrada mesmo nas naçoes tradicionalmente consumidoras de azeite de oliva.
É geral a opiniao de que o óleo de amendoim é de fácil digestao e por isso recomendada as pessoas portadoras de moléstias do aparelho digestivo. Seu valor nutritivo equivale ao de outras gorduras empregadas na alimentaçao, sejam vegetais ou animais.

As vitaminas B-1 e B-2 tem sido encontrada em proporçoes considerável no amendoim cru, e acredita-se que existam também no óleo. Com relaçao as vitaminas A e D, as tabelas em geral acusam ausencia absoluta ou no máximo ligeiros indícios, o mesmo ocorrendo com relaçao a outros óleos. A vitamina E, responsável pela reproduçao, é a que entra em maior concentraçao no óleo do amendoim.
Para conseguir óleo de boa qualidade e também bom rendimento o amendoim deve ser maduro e seco. Quando colhido antes do momento apropriado dá um óleo de má qualidade e rico em ácidos graxos livres, cuja correçao, para sua entrega ao consumo, é muito cara. O óleo extraído das sementes descascadas, sem película e sem embriao se mostra mais puro e de maior valor comercial.

Além do emprego na alimentaçao, utiliza-se o óleo do amendoim na indústria pesqueira para cozimento de sardinhas. Convenientemente refinado para obtençao de maior pureza, é usado para fins medicinais e farmaceuticos, principalmente como veículo para emulsao de produtos injetáveis. O óleo de segunda, nao refinado, serve como combustível das lâmpadas dos mineiros. Quando neutro, usa-se como lubrificante. É também excelente matéria-prima para a indústria de saboaria.

Farelo de amendoim: Após a extraçao do óleo, obtém-se do amendoim, como subproduto de elevado valor comercial, a torta. A riqueza nutritiva das tortas depende em geral da qualidade das sementes e do método utilizado na extraçao do óleo. Se as tortas provem da extraçao pelo método a frio, tornam-se mais nutritivas do que as conseguidas pelo aquecimento ou com o uso de solventes.

Clima e Solo
Dentre os muitos fatores que influem na produçao do amendoim, destacam-se como os mais importantes o clima e o solo. Muitas regioes do Brasil apresentam condiçoes tao boas que podem ser obtidas duas colheitas por ano.
O amendoim se desenvolve bem nos climas quentes. Os Estados de Sao Paulo, Goiás, Mato Grosso e 'Paraná tem climas propícios a cultura, já que possuem calor e umidade suficientes. Para um bom rendimento e boa qualidade o amendoim requer, durante o seu desenvolvimento, temperatura constante, um pouco elevada, e suprimento uniforme de umidade, principalmente no período de frutificaçao. Na época da colheita e da secagem é necessário que o tempo esteja seco para evitar a germinaçao das sementes.
Além do clima, o solo constitui um fator importante para esta cultura. O amendoim pode ser cultivado com exito em quase todos os tipos do solo, desde que férteis. Todavia, o mais apropriado é o leve, de boa fertilidade, bem drenado, que nao encharca com as chuvas. Em terras desse tipo, o ginóforo (ou esporao, como dizem os lavradores de Sao Paulo), que nada mais é do que o prolongamento do ovário da planta com o fruto penetra facilmente chao e as vagens se desenvolvem normalmente.
A terra arenosa é a mais indicada para esta cultura e no Brasil este tipo de solo se encontra em mais de 80% das culturas. Nas zonas onde predominam a terra roxa misturada ou a terra roxa o amendoim é plantado em menor escala, embora tais tipos sejam apropriados. Nas regioes de solo massapé planta-se muito pouco amendoim, já que é menos recomendado para essa cultura. Trata-se de solo pesado, prejudicando a produçao devido ao fato de que a penetraçao dos esporoes e o arrancamento dos frutos se tornam difíceis.

Preparo do solo
As muitas dificuldades ainda existentes para que o lavrador possa fazer um bom preparo do solo antes do plantio leva a improvisaçao que nem sempre dá bons resultados. Novas técnicas de exploraçao agrícola sao elementos promissores para futuro breve.
Na cultura do amendoim, dentre as diferentes práticas, destaca-se, pela sua importância, o preparo do solo que, se bem feito, facilitará também outras medidas exigidas pela cultura. A terra dura opoe resistencia a penetraçao das raízes que sao finas e volumosas, impedindo uma absorçao perfeita dos fertilizantes. Também a capacidade de armazenamento de água fica bastante reduzida. As lavras superficiais e sem cuidado podem causar a ruína da cultura. Uma terra mal trabalhada, embora bem adubada o com sarnentos de boa qualidade, nao produzirá o máximo de sua capacidade e o pouco que der sairá muito caro.
Geralmente, uma só araçao é insuficiente, sendo necessárias duas, pelo menos. Uma delas podo ser efetuada no fim das chuvas, em maio mais ou menos; e a outra cerca de trinta dias antes do plantio.
É importante na lavra a profundidade a ser atingida pelo bico do arado.
Só a araçao nao completa o bom preparo da terra. Outros trabalhos sao indispensáveis como a gradeaçao, para nao deixar torroes, e a boa pulverizaçao do solo. Isso, realizado em época oportuna, destrói, as ervas daninhas que surgem após a lavra, permitindo também os trabalhos mecânicos futuros de riscamento, semeaçao e cobertura das sementes. Um detalhe dispensável, mas de grande efeito, é a passagem de um rolo compressor no terreno depois da gradeaçao e antes do riscamento. Com isso, o solo ficará mais úmido, o que posteriormente fará com que as raízes após a germinaçao se fixem e consigam elementos para a subsistencia da nova planta. Mas nao é apenas o solo bem lavrado que assegura ao agricultor uma boa colheita, do ponto de vista econômico.
Para se conseguir exito total na cultura é preciso saber se o solo contém elementos minerais suficientes para alimentar normalmente a planta. Uma análise da terra poderá revelar a sua riqueza em elementos químicos essenciais a vida vegetal. Para isso o agricultor efetuará análise da terra que informará qual a sua porcentagem em elementos úteis e aconselhará a melhor adubaçao, dependendo do tipo de cultura a ser feita.
O descanso do terreno, após o período de cultura, é de muita importância para proporcionar ao solo condiçoes de recuperaçao de todos os seus valores. Associar o descanso da terra a adubaçao verde dá excelentes resultados, como também a rotaçao das culturas na mesma área com plantas cujos sistemas radiculares tenham hábitos diversos.
A prática de rotaçao ensaia a policultura, muito vantajosa na parte econômica, já que o agricultor, mantendo em sua fazenda uma cultura principal e outras subsidiárias, estará protegido contra prejuízos inesperados.

Calagem e adubaçao
A calagem é importante para o amendoim e para as leguminosas em geral. Solos ácidos podem produzir vagens mal granadas, chochas e com baixa produçao. Solos com pH abaixo de 5,5 devem receber colagem de acordo com a análise do solo a qual se efetua em cobertura total da área e com antecedencia de pelo menos trinta dias do plantio; distribuir metade antes e metade depois da araçao, com uma gradagem.
O calcário dolomítico deve ser preferido para a cultura do amendoim. Quando a análise indica doses altas de calcário, a aplicaçao deve ser parcelada em dois ou mais anos. A adubaçao do amendoim é um problema que exige mais experimentaçao. Os solos férteis, portadores de boas qualidades físicas, produzem boas colheitas de amendoim sem adubaçao. Também a adubaçao residual das culturas anteriores é bem aproveitada pelo amendoim, razao por que se pode fazer o seu plantio em terras fracas como rotaçao com culturas adubadas.
O IAC aconselha a seguinte fórmula para a elevaçao da fertilidade dos solos fracos ao nível exigido pelas oleaginosas em geral (em kg/ha): sulfato de amônia ou nitrocálcio, 150; superfosfato simples, 330; e cloreto de potássio, 50. O sulfato de amônia (ou nitrocálcio) tem de ser utilizado em cobertura, trinta dias após a germinaçao, ou dividido em duas doses, uma no plantio e outra em cobertura. Dependendo das condiçoes locais de resposta da planta a adubaçao nitrogenada, pode-se empregar apenas a metade da dose, aplicada no plantio. Contudo, a adubaçao direta nem sempre produz resultados desejados, chegando-se em certos casos a um decréscimo da produçao. Deve-se por isso, usá-la somente quando necessária e econômica.

Adubaçao orgânica
A adubaçao orgânica é sempre importante, quer seja pela incorporaçao dos restos de culturas, adubaçao verde, palhas, cascas, estercos e tortas.

Adubaçao mineral
Observaçoes:
- Embora o amendoim aproveite a fixaçao simbiótica (fixaçao de nitrogenio) deva-se aplicar no plantio 10 kg de N/ha.
- O amendoim aproveita muitos bem resíduos de adubaçao de outras culturas, dai, recomenda se como cultura importante em sistema de rotaçao

Plantio
Preparo da semente
A semente representa o elemento básico para a obtençao do uma boa cultura. Deve ser de boa procedencia e qualidade comprovadas. Os cuidados começam com a escolha da variedade e as qualidades intrínsecas e extrínsecas. Dá-se especial atençao a sua pureza, a sanidade e ao poder germinativo.
A experiencia demonstra que o plantio de sementes descascadas é melhor e mais vantajoso do que o de vagens inteiras. Há maior regularidade na germinaçao, bem como possibilidade de melhor seleçao. Torna possível ainda a realizaçao do indispensável trabalho de desinfecçao com germicidas apropriados antes do plantio.
O descascamento pode ser feito a mao ou a máquina, sendo o último método o mais usado em áreas grandes. O manual só é possível para o plantio de áreas pequenas, mas tem a vantagem de ferir menos as sementes e proporcionar uma seleçao maior no processo.
A utilizaçao da máquina no descascamento, por mais cuidados que sejam tomados, resulta sempre em danos as sementes. Para um bom desempenho, reduzindo os danos ao mínimo possível, há que regular a sua velocidade é a da corretamente á variedade e ao grau de secagem. As vagens quando estao excessivamente secas e a máquina funcionando a alta velocidade dao falhas maiores na plantaçao.
As melhores sementes para o plantio sao obtidas pela secagem em medas, em processo lento.
O teor de umidade das vagem para o descascamento destinado ao plantio precisa estar em
torno de 9%.
Na impossibilidade de obtençao de sementes selecionadas, pode-se conseguir provisoriamente uma semente melhor que a comum na lavoura, selecionando talhoes em que o desenvolvimento seja uniforme e satisfatório, eliminando as plantas que apresentem doenças e outras anormalidades. Para isso devem ser colhidas cuidadosamente e secadas em medas. Após o descascamento, faz-se nova seleçao, excluindo as sementes doentes, quebradas e fora da variedade ou padrao escolhido.
Depois do descascamento, as sementes devem passar por um processo de desinfecçao. É especialmente destinado ao controle e a prevençao de doenças que podem ser transmitidas através das próprias sementes.
Um aumento médio de 30% na produçao é conseguido apenas com esse tratamento nas culturas normais de amendoim. Em anos favoráveis, obtém-se até o dobro ou mais da produçao. Mesmo em anos bons e quando a semente é boa, descascada com cuidado (o que raramente ocorre), o tratamento de sementes compensa por ser pouco dispendioso, valendo como um verdadeiro seguro da plantaçao.
Antes da desinfecçao as sementes descascadas devem ser abanadas e catadas, retirando-se as que nao correspondem a variedade empregada, as deformadas, as imaturas e as doentes. Esta cataçao geralmente é manual, usando no caso de grandes quantidades mesas catadoras iguais as utilizadas para café.
Semente para plantio tem de ser sempre guardada em casca ou, quando cada, desinfetada antes de ser posta no armazém. Resultados experimentais demonstram que através do uso de desinfetantes se podem reservar por mais tempo as sementes e o seu poder germinativo.
No campo, depois de plantadas, as sementes desinfetadas mostram mais sobre aquelas que nao foram submetidas a tratamento, O efeito desinfetante pode ser assim esquematizado:
- Primário, direto, protegendo a semente dos fungos do solo e evitando grande número de falhas;
- Secundário, também importante, acelerando o crescimento nas primeiras fases do desenvolvimento das plantas.
A aplicaçao de desinfetantes se faz a seco, espalhando o pó sobre as sementes e misturando bem com a pá de madeira. O uso de um tambor rotativo que pode ser construído em qualquer fazenda, facilitando essa operaçao e economizando tempo.

Formas de plantio
O plantio do amendoim com alta densidade geralmente produz boas colheitas. As linhas sao espaçadas 60 cm urna da outra. A semeadura nas linhas deve ser feita a razao de vinte sarnentos por metro de sulco, a uma profundidade de 5 a 10 cm.
O tamanho e o peso das sementes de amendoim variam bastante de ano para ano devido as condiçoes culturais e climáticas, dependendo ainda da variedade. De um modo geral, o gasto das sementes, no espaçamento de 0,60 x 0,10 m, atinge uma média de 150kg/ha. Ou 360kg/alq.
Utilizam-se semeadeiras com chapa apropriada, deixando-se cair vinte sementes por metro linear de sulco. Os sulcos devem ter 10 cm de profundidade, sendo as sementes cobertas com um pouco de terra (nao além de 5 cm).
Quando os trabalhos da lavoura sao executados com traçao animal o riscamento é feito com riscador de madeira que, numa só operaçao, abre várias linhas. Na falta dele, pode ser usado um sulcador, onerando, entretanto, a operaçao. Empregando-se máquina de traçao mecânica, o riscamento é eliminado.
A obtençao de uma boa densidade de plantas na linha é de grande importância para se conseguir produçoes elevadas. Para isso sao cuidados indispensáveis o emprego de material de bom poder germinativo, a desinfecçao, a quantidade suficiente de sementes e a observaçao da eficiencia da máquina de semear.
Antes do início dos trabalhos de plantio é necessário suprimir alguma deficiencia da semeadeira. As máquinas de traçao animal, que trabalham com disco perfurado para a distribuiçao das sementes, precisam ter altura suficiente do disco para evitar quebra das sementes. Possuindo elas uma vassourinha trabalhando junto ao disco, fazem pressao sobre as sementes na direçao do orifício de saída, lançando-as no sulco.
As máquinas com disco girando na posiçao vertical e com compartimento para distribuiçao das sementes faz um bom trabalho de plantio. As de traçao mecânica com sistema de elevaçao das sementes para o tubo de descarga, sao bastante eficientes, mas de preço elevado.
O amendoim, sendo planta de ciclo curto, possibilita dois plantios anuais das variedades precoces nas regioes de clima quente.
Principia-se o plantio do amendoim das águas com as primeiras chuvas, do começo de setembro até fins de outubro, sendo obtidas as melhores produçoes nos plantios efetuados logo após o início das chuvas. Os plantios tardios, executados em novembro, nao apresentam em geral resultados satisfatórios, caindo muito a produçao de vagens.
A safra da seca comumente produz menos do que a das águas por nao serem ideais as condiçoes de calor e umidade requeridas pelo amendoim. Entretanto, grande parte dos plantadores de amendoim faz o cultivo durante essa época, visando garantir sementes para o próximo plantio. O período mais adequado ao cultivo da seca vai do início de janeiro, após a colheita do amendoim das águas, até meados de fevereiro. Fora dele, dificilmente dá bons resultados.

Época de Plantio e Espaçamento
Planta do amendoim apresenta grande plasticidade genética podendo ser cultivada em várias condiçoes agroecológicas. O maior rendimento, contudo, será funçao da cultivar e, sobretudo, das interaçoes entre temperatura (22 e 29 oC) e disponibilidade hídrica (500 e 700 mm).

Para as condiçoes do Estado de Sao Paulo existem duas épocas de semeadura, a primeira inicia-se em setembro/outubro (safra das "águas") e a segunda, entre final de janeiro a fevereiro (safra da "seca"). Na semeadura realizada na primavera a colheita ocorre no mes de janeiro; na semeadura efetuada nos meses de verao, a colheita é realizada em meses de pouca ocorrencia de chuva, no entanto com temperaturas mais baixas resultando em atraso na maturaçao e invariavelmente com menores produçoes. Na renovaçao de canaviais predomina o cultivo das "águas". Nas áreas de reforma de pastagens, é possível utilizar cultivares de ciclo mais longo e normalmente ocorre cultivo da "seca", em geral, na mesma área.

O espaçamento médio entre linhas, recomendado para as cultivares de porte ereto é de 0,60 m e densidade de 15 a 20 sementes/metro linear. Para as cultivares ramadoras, o espaçamento adotado entre linhas é de 80 a 90 cm e densidade de 12 a 15 sementes/metro linear.

Nas condiçoes climáticas do Nordeste brasileiro, a maior parte do cultivo do amendoim é procedida em regime dependente da estaçao chuvosa, sendo mais concentrado nas regioes de Mata, Agreste, Brejo, Cariri e Semi-árido. Nas condiçoes de Mata e Agreste chove, freqüentemente, de abril a agosto e as precipitaçoes anuais, sobretudo na Zona da Mata, ultrapassam os 1000 mm. Como os materiais de porte ereto e precoce predominam na regiao, o plantio é efetuado perto do final da estaçao chuvosa (maio-junho) para favorecer a colheita na estaçao mais seca. No Semi-árido, chove de novembro a março e as freqüencias e distribuiçao sao irregulares. Devido a isso, o plantio é procedido tao logo as chuvas comecem. Em termos regionais, o amendoim nordestino está distribuído no recôncavo baiano, nos tabuleiros costeiros de Sergipe, nas zonas da Mata, Agreste e Sertao pernambucanos, no Agreste e Brejo da Paraíba e no cariri cearense.

O espaçamento convencional de amendoim cultivado em regime de sequeiro é de 0,70 m x 0,20 m, podendo o plantio ser procedido em consórcio com outra cultura herbácea, como milho, gergelim, mandioca ou algodao. A quantidade de sementes fica entre 60 e 65 kg/ha (padrao BR 1). Atualmente tem se adotado o espaçamento de 0,50 m x 0,20 m, gastando-se 90kg/há. Neste espaçamento, a elevaçao na produtividade fica na ordem de 63% (foto 4), com relaçao ao sistema convencional. Este espaçamento permite, ainda, reduçao nos custos das capinas, que cai de tres para duas. No espaçamento de 0,30 x 0,20m o gasto de semente situa-se em 110kg/ha e a elevaçao na produtividade sobe para 94%.

Colheita
Maturaçao
A maturaçao das variedades atualmente cultivadas ocorre tres meses após o plantio, estando a maioria das vagem em ponto de colheita aos noventa ou cem dias para a variedade tatu; 100 ou 110 dias, para a tatuí, e mais de 120 dias para o roxo.
O tempo de maturaçao pode variar de acordo com o clima da regiao, a época de plantio e as condiçoes de clima na colheita, os tratamentos com fertilizantes e inseticidas aplicados a cultura.
Quando em plena maturaçao, a cultura do amendoim geralmente toma um aspecto amarelado que a identifica. A confirmaçao do ponto de maturaçao e colheita se faz arrancando ao acaso, no meio da cultura, plantas de diferentes lugares e examinando as vagens. Uma vagem madura, quando aberta, apresenta manchas escuras características na face interior das cascas em contato com as sementes, como se fora a impressao destas. Também as sementes já devem estar bem desenvolvidas e com a cor própria da variedade. Após a secagem, estas características ficam ainda mais acentuadas, com a face interna da casca bem escura e marcada, e as sementes com a película bem carregada da cor própria. Vagens ainda verdes, além da falta de coloraçao das sementes, se apresentam com a face interna das cascas completamente branca.
Contudo, nem todas as vagens de uma mesma planta ficam maduras na época da colheita, já que a floraçao se estende por largo período, em que há continua formaçao de vagens. Dessa forma, na colheita as plantas de amendoim sempre exibem vagens em todos os estágios de desenvolvimento que podem prejudicar a conservaçao do produto no caso de uma secagem incompleta, em particular quando feita artificialmente.
É importante o ponto de maturaçao para colheita. Além de maior peso e melhor secagem, aumentam o teor de óleo, que também é de melhor qualidade. O inverso, ou seja, a demora no arrancamento, causa elevada perda de vagens no solo, além da germinaçao de outra parte, quando há umidade suficiente.
O arrancamento das plantas se faz em dias de sol e pode ser manual (culturas pequenas, do tipo familiar) ou mecânico (com traçao animal, linha por linha ou por trator). Quando o solo é bem trabalhado e leve, o manual fica facilitado, perdendo-se poucas vagens na terra. Agarramse as ramas em feixes, movimentando-se a touceira de um lado para o outro, com movimentos leves, até que a parte da planta sob o solo se desprenda, arrancando-se, a seguir, com cuidado. Uma enxada facilita o serviço de movimento do solo, além de reduzir o número de vagens que ficam na terra.
Nas culturas de mais de um alqueire o arrancamento pode ser favorecido com o emprego de um arado comum, de aiveca, passado junto as fileiras de plantas, ou melhor, ainda, um facao de ferro, apropriado para tal, de fácil construçao. Essa ferramenta é colocada na armaçao do arado, após retirar a aiveca e o facao. Com isto, corta-se a raiz-pivô do amendoim, tornando-se mais fácil e rápida a operaçao de arrancamento. Completa-se o trabalho a mao, arrancando-se e sacudindo-se as plantas para retirar a terra aderente as raízes e as vagens. A seguir, as plantas sao reunidas e postas a secar, geralmente em linhas, na própria cultura. É a secagem comum, ao sol.
A colheita do amendoim, graças as máquinas modernas existentes no mercado, pode ser feita mecanicamente. Os lavradores podem aumentar sua área de plantio sem o risco de perder suas colheitas. É adaptada em trator com sistema de suspensao hidráulica e tomada de força desde 20 HP. Realiza, com total eficiencia, em duas linhas, as operaçoes de cortar, arrancar, sacudir, limpar e enfileirar. Possui todos os dispositivos de ajuste para os diferentes espaçamentos e condiçoes de solo e lavoura. Esta escavadeira-colhedeira levanta o amendoim do chao com todo o cuidado, elimina a terra, deposita a colheita em fileiras regulares, sem perda nem acúmulo. O seu rendimento é de aproximadamente 1 alqueire num período de oito horas.

Secagem
Na secagem comum as plantas sao dispostas em fileiras, com as vagens voltadas para cima. Em contato com os raios solares as vagens secam convenientemente em poucos dias, desde que nao chova. Este processo, o mais utilizado, tem o inconveniente de deixar as plantas sujeitas as chuvas que ocorrem geralmente na safra das águas. Como resultado, constatam-se germinaçoes, apodrecimento, perda de vagens, excesso de umidade no amendoim colhido ou ressecamento excessivo (prejudicial quando destinado a sementes), aflatoxina e outros casos.
Para contornar em parte o problema, reúnem-se várias fileiras, estendendo-se o amendoim com a vagem completamente voltada para cima, longe do contato direto com a superfície do solo e da umidade existente.
A secagem ou cura do amendoim, qualquer que seja o processo, é uma operaçao da maior importância. Deve-se tomar o máximo cuidado (em geral se verifica o contrário, especialmente por razoes climáticas e econômicas), pois grande parte do valor e qualidade de uma ótima cultura desta oleaginosa pode ser perdida durante essa etapa. Quando arrancada, as vagens de amendoim contem entre 35 a 40% de umidade que necessita ser reduzida a 10% ou menos, antes de serem armazenadas com segurança. Nas zonas produtoras, devido ao processo de colheita adotado, tolera-se um teor de umidade de 13% e até mais, em anos de pequena produçao ou grande procura das fabricas de óleo, o que, entretanto, é contra-indicado.
Quando se utiliza a secagem artificial, ainda feita na quase totalidade semente em fábricas de óleo, o amendoim pode murchar apenas no solo, o suficiente para um despencamento manual ou mecânico, devendo ir imediatamente para o secador. Neste caso a qualidade do produto pode ser também baixa, após a secagem, devido ao seguinte:
- Secagem demasiadamente rápida, com temperaturas acima de 35oC, que muitas vezes causam torraçao, enrugamento e rachadura na casca e película das sementes e sabor desagradável.
- Secagem muito lenta, com pouco calor e ventilaçao, resultando muitas vezes em bolores, descoloraçao e rancificaçao das sementes.

Secagem em medas
Nesse tipo o produto fica ao sol durante um dia, mais ou menos, até murchar completamente a "ponto de feno", sendo, a seguir, amontoado em medas, onde seca gradativamente.
Tem a vantagem de proporcionar uma secagem mais lenta e uniforme, resultando em amendoim de qualidade superior, sobretudo como sementes para novos plantios. As vagens ainda nao completamente maduras terminam seu ciclo na meda, aumentando desta forma também o peso e a qualidade do produto final. Após desmanchar uma moda bem feita, sobram as ramas fenadas, excelente alimento para o gado.
Para se fazer uma meda, basta deixar o amendoim arrancado secar ao sol por um dia, ficando completamente murcho, no "ponto de feno". É importante nao deixar secar demais, tornando as amas quebradiças e perdendo folhas; fincar no chao, a profundidade de 0,5 m, uma estaca de 2 m de altura; Com pedras e paus, grade de madeira e outro material fazer um suporte para as plantas, elevando-se a base da meda a um palmo do solo. Esse espaço se destina a ventilaçao da parte inferior da meda e ao isolamento contra a umidade do solo; Arrumar as plantas já murchas, com as vagens voltadas para dentro, nao se encostando a estaca para permitir a circulaçao do ar e o completo secamento; Arrumar um chapéu de sapé ou capim na ponta da meda para evitar a entrada da água da chuva.
Depois de tres ou quatro semanas o amendoim está em condiçoes de ser despencado. Nessa oportunidade desmancham-se as medas, faz-se o despencamento e aproveita-se a folhagem seca para a alimentaçao animal.
Quando se efetua o despencamento mecanicamente, as medas nao necessitam ser tao bem feitas, pois nesse caso as ramas podem ser jogadas de qualquer maneira nas máquinas.
Entretanto, medas mal executadas podem nao evitar a entrada de água, quando entao o feno se perde, podendo mesmo prejudicar a qualidade das vagens, por escurecimento generalizado do produto.
Dependendo do tamanho da meda, cada alqueire leva aproximadamente cinqüenta medas, distanciadas umas das outras.
O despencamento manual se executa batendo um feixe de amendoim seco contra a borda de um jacá provido de um pedaço de madeira para maior eficiencia. A batedura é feita por operários no próprio campo, em regime de empreitada, onde trabalham com toda a família, despencando, abanando em peneiras e ensacando a seguir. Após a batedura, o amendoim ainda com excesso de umidade pode tomar algumas horas de sol em terreno ou continuar a secagem em secadores antes de ser entregue as fábricas.

Problemas da colheita
O resultado da necessidade de facilitar sobremaneira a colheita já se fez notar pela introduçao de máquinas para a colheita e para a batedura do amendoim. Nas observaçoes de campo, pode-se verificar que o funcionamento da batedeira está condicionado ao seu grau de umidade, ou seja, o rendimento da máquina é maior quando o amendoim colhido se encontra bem seco.
Acontece, porém, que na colheita do amendoim das águas essa condiçao é mais difícil, razao por que o arrancamento a máquina e o posterior acondicionamento em medas permite nao só a obtençao de amendoim de melhor qualidade, de baixa infestaçao de aflotoxina como também um melhor rendimento. Nestas condiçoes o lavrador poderá aproveitar a rama seca como feno e processar o despencamento quando melhor lhe convier.
A máquina de arrancar, colhedeira acoplada com enleiradeira, apresentou resultados satisfatórios, colhendo e enleirando. O amendoim enleirado, após dois ou tres dias de sol, pode ser batido mecanicamente.
Guarda das sementes: O amendoim se conserva por vários meses sem perda do poder germinativo ou de suas qualidades para óleos, quando convenientemente armazenado.
Os armazéns devem ser bem secos e ventilados com as vagens ensacadas ou a granel, desinfetados com inseticidas apropriados. Quando ensacadas, as pilhas tem de ser baixas, para evitar quebra e esmagamento de vagens. No armazenamento a granel obtém-se melhores resultados com o amendoim distribuído em várias camadas isoladas umas das outras, em prateleiras previamente tratadas com inseticidas adequados. O teor de umidade das vagens nao deve ser superior a 10%.
O amendoim destinado ao plantio pode ser também armazenado sem casca, por vários meses, mediante tratamento com fungicida, com desinfetante de sementes e correto armazenamento. Guardam-se as sementes em sacos plásticos (para 15 Kg) fechados manualmente

Tratos culturais
Os cultivos sao necessários para evitar a concorrencia das ervas daninhas e melhorar as propriedades físicas do solo. Utilizando-se o cultivador de enxadinhas, tipo planet, entre linhas, o mesmo usado para as demais culturas da fazenda. Outra peça, a chapa, é de emprego bastante generalizado. Na cultura do amendoim sao utilizadas as de no 12 e 14.
Usa-se a enxada na limpeza junto a linha e quando o mato já tem bastante desenvolvimento.Se este é pequeno, a enxadinha com lâminas em forma de régua substitui, com eficiencia, aquela.
Em terrenos pesados, como o massapé, faz-se pequena amontoa com um sucador pequeno, cinco a dez dias depois do início da floraçao. Os solos arenosos dispensam essa prática, sendo o trabalho realizado pelo próprio cultivador. As ervas podem também ser controladas com herbicidas

Pragas
Qualquer cultura, quando executada em bases econômicas e em larga escala, desfaz o equilíbrio biológico da natureza, criando um ambiente suscetível as pragas e doenças, que dela se beneficiam.
Também o amendoim, cultivado sem os devidos cuidados e ano após ano, vem sendo atacado por várias pragas e moléstias, que levam os lucros dos agricultores.
Assim, quem planta amendoim tem "sócios" na sua cultura, sempre dispostos e aumentar seu quinhao nessa "sociedade". Cabe ao agricultor conhecer os indesejáveis e eliminá-los. As pragas sao as mais prejudiciais, pois atacam a parte aérea da planta (folhas e ramos) e também as raízes e porçoes que estio dentro da terra. O terreno sempre contém alguns insetos ou pragas a espera de uma planta a seu alcance. Muitas vezes o ataque passa despercebido porque é feito abaixo da superfície do solo, Mas na colheita os prejuízos causados sao grandes.

Doenças
Até há algumas décadas atrás, as doenças do amendoim nao apresentavam problemas graves para a cultura, passando até mesmo despercebidas. O ataque de uma moléstia, quando notado, nao chegava a prejudicar seriamente porque aparecia no final do ciclo.
Agora, as coisas estao mudando. Ano após ano, o amendoim é plantado no mesmo local e as áreas cultivadas vao aumentando. Por outro lado, os tratamentos com inseticidas e fungicidas nao se fazem eficientemente, sendo o uso deste último por parte dos plantadores dessa oleaginosa. Realizada a colheita, permanecem no terreno muitos restos da cultura e toda a sua parte aérea. Essas sobras constituem um meio ideal para o desenvolvimento das doenças e para a sua propagaçao nas culturas, de um ano para outro. As que mais atacam o amendoim podem ser assim resumidas: doenças de pré-emergencia e das sementeiras, cercospora, verrugose e murcha.
As moléstias de pré-emergencia afetam as sementes de amendoim tao logo sejam postas a germinar. Estas apresentam, em geral, lesoes ou machucaduras feitas pelas máquinas de descascar, constituindo-se em verdadeiras portas abertas a entrada dos fungos. Penetrando na semente, os fungos causam seu apodrecimento, dando origem as falhas na lavoura. Depois de nascidas, no seu crescimento, as plantas de amendoim podem ser atacadas por doença de sementeira (Rhizoctonia sp) e que provocam o tombamento.

Controle
As doenças de pré-emergencia e das sementeiras sao em grande parte controladas pela desinfecçao das sementes com produtos apropriados.
O amendoim tratado pode ser plantado no mesmo dia ou guardado durante algum tempo. Nao deixar semente desinfetada de um ano para outro, nem distribuir para outras finalidades. De uma forma geral, para controlar as doenças do amendoim recomendam-se as práticas de caráter cultural, como a rotaçao e a queima dos restos, visando diminuir o ambiente favorável as moléstias.
Contra a cercosporiose e a verrugose aconselham-se pulverizaçoes na folhagem com fungicidas a base de cobre Além disso, podem ser usados polvilhamentos com cobre metálico, a 8%.
Em campos contaminados, segundo as recomendaçoes dos técnicos, devem ser efetuados no mínimo dois tratamentos preventivos.
No esquema geral de tratamento preventivo contra pragas e doenças a primeira aplicaçao se faz aos quinze ou vinte dias de idade da cultura, misturando-se o fungicida com o inseticida e pulverizando a folhagem e o colo das plantas. Contra a murcha, além das medidas de caráter cultural, indica-se a calagem do solo, já que os fungicidas ainda nao apresentam uma eficiencia satisfatória.

Herbicidas
Vários herbicidas podem ser utilizados na cultura do amendoim; entretanto, sua escolha dependerá do tipo de solo (teor de argila e matéria orgânica) e da composiçao vegetal da área. Para o controle de plantas daninhas sugere-se alguns herbicidas listados abaixo que podem ser utilizados como pré-plantio incorporado (PPI), pré-emergencia (PRE) ou no pós-emergencia (POS). Fazer as aplicaçoes de acordo com as instruçoes do fabricante.

Princípio Ativo
Nome Comercial
Concentraçao (g.L-1)
Época
Dose kg.ha-1 i.a. 
trifluralin 
TreflanC
445 CE
PPI
0,54 - 1,08
trifluralin 
PremerlinC
600 CE
PRE
1,80 -2,40
pendimenthalin
HerbadoxC
500 CE
PPI
0,75 - 1,50
alachlor
LaçoC
480 CE
PRE
2,40 - 3,36
lactofen
CobraC
240 CE
PRE
0,24 - 0,48
lactofen
CobraC
240 CE
POS
0,15 - 0,24
imazapic
PlateauC
700 Gr
PRE
0,10 - 0,14
linuron
Afalon SCC
450 SC
PRE
1,00 - 2,00
bentazon
BasagranC
600 CE
POS
0,72 - 0,96

Pragas no armazém
Vários insetos danificam o amendoim armazenado.
Várias traças e besouros aparecem sempre em conjunto, causando danos, existindo apenas populaçoes maiores de um ou de outro.

Combate
Paióis e depósitos devem ser bem varridos e retirados todos os restos da safra anterior. Depois de fazer um polvilhamento em toda a área, dando atençao especial a reentrâncias do piso, cantos das paredes, rachaduras, etc., sendo apenas necessário fechar portas e janelas para obter saturaçao completa.
Além dessa medida, torna-se necessário fazer proteçao do amendoim armazenado contra as pragas mencionadas. O gasto médio de inseticida é de 1 kg/500 sacas empilhadas. Como esta medida visa impedir possíveis infestaçoes ou reinfestaç5es de insetos, convém repetir periodicamente a operaçao de polvilhamento ou mesmo de nebulizaçao.

Cultivares
Características da Cultivar BR 1
A cultivar BR 1 foi lançada pela Embrapa Algodao em 1994, atendendo uma demanda dos agricultores nordestinos que nao tinham uma cultivar adaptada a regiao, recorrendo, devido a isso, a aquisiçao de graos de baixo valor cultural ou a tradicional Tatu que nao é adaptada a condiçoes severas de estresse hídrico e tem alto teor de óleo (49 a 50%). Para compor a BR 1, utilizou-se um bulk formado pelos genótipos CNPA 95 AM, CNPA 96 AM e Sapé Roxo, todos com ciclo em torno de 89 dias após emergencia e altamente adaptados as condiçoes fisiográficas do Nordeste. A BR 1 é precoce, produtiva e tolerante a mancha parda (Cercospora arachidicola). É recomendada para consumo in natura e para a indústria de produtos alimentícios por possuir baixo teor de óleo (45%) e 29% de proteína bruta. A planta apresenta porte ereto, vagens com 3-4 sementes de formato arredondado e coloraçao vermelha (Foto). A quantidade de sementes necessárias para plantar um hectare varia de 64 kg, 90 kg até 150 kg/ha, dependendo do espaçamento (0,70m x 0,20m, 0,50m x 0,20m e 0,30m x 0,20m, respectivamente). 

BRS 151 L-7
Foi lançada pela Embrapa Algodao em 1997 e é, até o momento, a cultivar mais precoce de amendoim no Brasil e adaptada para cultivo em clima semi-árido. Foi obtida através da hibridaçao entre as cultivares IAC Tupa e a africana 55 437, de alta precocidade e resistente a seca.. A cultivar tem ciclo de 87 dias após emergencia e responde bem tanto para cultivo no regime de sequeiro quanto irrigado. Apresenta rendimento de 71% em amendoas e 46% de óleo bruto nas sementes, sendo indicada para o mercado de consumo in natura e para a indústria de alimentos.

A BRS 151 L-7 pertence ao grupo Valencia, é de porte ereto, medindo em torno de 45 cm. As hastes e os ginóforos sao de coloraçao esverdeada com poucos tons arroxeados . As vagens sao de tamanho médio, com bico, constriçao e reticulaçao moderados. As sementes sao vermelhas, alongadas e grandes (Foto)..

BRS Havana
A BRS Havana foi sintetizada pela Embrapa em 2005. Foi obtida através de seleçao massal, com pressao de seleçao para tamanho e forma dos graos e adaptaçao para clima semi-árido. Tem ciclo de 90 dias, é adaptada ao ambiente semi-árido e apresenta produtividade média de 1.800 kg/ha em vagens. Tolera bem as cercosporioses desde que a incidencia da doença ocorra a partir dos 65 dias após o plantio. Nesta ocasiao, nao se tem percebido danos na produtividade que compense economicamente o controle químico. Suas vagens contém 4 sementes, de formato arredondado e coloraçao palha. Trata-se de uma cultivar com baixo teor de óleo, indicada para atender o mercado de alimentos (doces, salgados, farinha etc).

Síntese de algumas características agronômicas das cultivares nacionais de amendoim cultivado:

Características
BR 1
BRS 151 L-7
BRS Havana
Ciclo (dias após a emergencia)
85-89
85-87
90-95
Início da floraçao (dae)
22
21
26
Altura da haste principal (cm)
38 a 42
38-45
35-45
Cor das hastes e ginóforos
arroxeados
verde-arroxeado
arroxeado

Cor, forma e tamanho das sementes
vermelha, arredondada, médio
vermelha, alongada, grande
bege, arredondada, médio
Bico, constriçao e reticulaçao da vagem
leve
moderado
leve
Vagens maduras por planta
37-45
39-43
35-46
Número de sementes por vagem
4
2
4
Peso de 100 vagens (g)
145 a 148
156 a 160
145 a 149
Peso de 100 sementes (g)
45 a 48
58 a 63
46 a 49
Vagem chocha (%)
9 a 12
10 a 12
10 a 12
Sementes perfeitas (%)
84 a 95
85 a 92
86 a 92
Produtividade em vagens (kg/ha)
1.700
1.850
1.800
Rendimento em amendoas (%)
72 a 75
70 a 72
70 a 72
Óleo bruto na semente (%)
45
46
43
Proteína bruta na semente (%)
29
30
28

 

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