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  Palma

Desde a época dos faraós egípcios, a quase 5000 anos, a palma oleaginosa tem sido uma importante fonte alimentícia para o genero humano. O óleo chegou ao Egito vindo da África Ocidental, de onde se origina a Elaeis guineensis .
No começo do século XX, a palma oleaginosa foi introduzida na Malásia como uma planta ornamental e somente plantada comercialmente pela primeira vez em 1917, o que deu origem a indústria de óleo de palma da Malásia, plantada em larga escala e surgiu como o óleo mais produtivo no mundo inteiro
No Brasil, chamada de " palmeira do dende ", foi introduzida pelos escravos no século XVI.

A palma é um cultivo perene. Começa a produzir frutos a partir de 3 anos, depois de semeada, tem uma vida econômica entre 20 a 30 anos. Anualmente, cada hectare de palma pode render até 5 toneladas de óleo, ou seja 10 a 12 cachos de frutos, cada um pesando entre 20 a 30 kgs e cada cacho produz de 1000 a 3000 frutos. O que representa de 5 a 10 vezes mais que qualquer outro cultivo comercial de óleo vegetal.
A palma produz um rendimento em óleo de aproximadamente 3700 quilogramas/hectare, anualmente. Em comparaçao com os rendimentos do óleo de soja 389 kg/hectare e do óleo de amendoim 857 kg/hectare, estes dois últimos sao muito baixos quando comparados com o óleo de palma.

CULTIVO
As condiçoes climáticas na Malásia incluem um clima tropical com temperaturas que variam de 24 a 32o C bem distribuídos ao longo do ano, que é ensolarado com períodos chuvosos que é ideal para o cultivo da palma. Nas estufas, as sementes de palma sao cuidadosamente selecionadas e germinadas sob condiçoes controladas.
As áreas produtoras no Brasil sao encontradas no Pará, Amazonas, Amapá e Bahia, sendo o Pará o maior produtor de óleo de palma do Brasil e onde se concentra mais de 80% da área plantada. Nessa regiao ocorre maior flutuaçao em energia solar, temperatura do ar, umidade atmosférica ( distribuiçao das chuvas ), que é o elemento climático de maior variaçao espacial e de maior repercussao na produtividade do dende nesta regiao.
O cruzamento entre as esécies Dura fisifera ( DxP ), conhecida como Tenera, é comumente o mais plantado, As sementes germinadas sao transferidas para sacos plásticos e crescem em estufa durante no período de 12 a 15 meses antes de ser transferida para o plantio no campo.
Como já mencionado anteriormente, as palmeiras começam a gerar frutos de 30 a 32 meses após o plantio no campo e continuará sendo economicamente produtiva por mais 20 ou 30 anos.
Os cachos de frutos maduros sao colhidos em intervalos de 7 a 10 dias ao longo da vida econômica da palma. Pelça ordem, a maximizaçao da taxa de extraçao de óleo assegura a qualidade do padrao de colheita seja aplicado. Estes incluem, além da alteraçao cuidadosa em relaçao a maturidade dos frutos, até a implementaçao de colheitas circulares e a colheita dos frutos com a mínima contusao.

Forma da fruta Tenera
Origem África
Crescimento 50 - 70 cm/ano
Circunferencia do tronco 355 cm
Cor da folha Verde
Produçao de folhagem 24 - 30 por ano
Altura da folhagem 6 - 8 m
Fruto maduro Amarelo dourado / vermelho
Período de incubaçao 12 - 15 meses
Início da colheita 30 meses após o plantio
Densidade da plantaçao 136-160 palmas por hectare
Número de cachos 12 cachos/ano
Frutos por cachos 1.000 - 3.000
Peso do cacho 20 - 30 kg
Tamanho e forma do fruto 5 cm - oval
Peso do fruto 10 grs
Núcleo do fruto 5 - 8 %
Mesocarpo por frutos 85 = 92%
Óleo por mesocarpo 20 - 50%
Óleo por cacho 25 - 28%
Produçao de óleo 5 - 8 tons/hectare/ano

PROCESSAMENTO DO ÓLEO DE PALMA E PALMISTE
As extratoras de fruto de palma estao bem localizadas, estrategicamente próximas as plantaçoes com o objetivo de facilitar o transporte dos frutos até a indústria de extraçao.
Vários processos operacionais sao utilizados para obter o produto acabado. O primeiro passo do processamento produz o óleo bruto, extraído do mesocarpo do fruto. Este, na sua segunda fase pode ser refinado ou também fracionado usando um processo de cristalizaçao e separaçao simples onde sao obtidas fraçoes sólidas ( estearina ) e líquidas ( oleína ).
O desenvolvimento da agroindústria de palma tem sido significativamente marcante, principalmente na Malásia. No Brasil as primeiras indústrias de extraçao de óleo de palma se estabeleceram no Estado da Bahia na década de 50. a organizaçao da agroindústria ocorreu mais tarde, no início dos anos 70 no Pará, onde a partir daí identificaram o cultivo do dendezeiro como a grande fonte de óleo e gordura vegetal. O Pará possui um parque industrial composto por 10 empresas, sendo este o maior produtor brasileiro, responsável por mais ou menos 85% do total do óleo de palma produzido no Brasil. Seguindo, podemos citar em ordem decrescente o Amapá, a Bahia e o Amazonas.
Descreveremos agora o processo industrial dos cachos de frutos frescos para a produçao de palma e palmiste, mencionando os produtos obtidos na extraçao, refino e fracionamento.
Podemos extrair os seguintes produtos :

Óleo de palma bruto
20%
Óleo de palmiste
1,5%
Torta de palmiste
3,5%
Cachos vazios
22%
Fibras
12%
Cascas
5%
Efluentes líquidos
50%

PROCESSAMENTO
Os frutos colhidos no campo sao transportados em caminhoes e pesados na entrada da fábrica. Após, sao transferidos para a rampa ou moega de recebimento onde sao transferidos para os carros " trolleys " através de uma via de trilhos direto para o esterilizador.
Os frutos sao cozidos a uma temperatura de mais ou menos 135oC sob pressao de 2 a 3 kg/cm2, por aproximadamente uma hora.
Após esterilizados e cozidos os frutos passam pelo debulhador, onde ocorre a separaçao dos cachos e frutos.
Os frutos sao prensados mecanicamente por uma prensa contínua para a retirada do óleo do mesocarpo carnoso. O óleo cru obtido na prensagem é transferido para o desaerador, onde sao retiradas as partículas pesadas, e depois clarificado e purificado para a remoçao de umidade, sujeira e outras impurezas.
As fibras e impurezas retidas na peneira voltam para a prensagem e o óleo bruto é transferido para o tanque de decantaçao através de bomba centrífuga. Neste tanque ocorre a separaçao do óleo e da borra. O óleo é transferido para o tanque de armazenagem. A borra é processada na centrífuga e transferida para o decantador secundário, onde após separaçao do óleo é transferida para lagoas. Todo o óleo separado da borra volta para o tanque de decanraçao.
A torta resultante deste primeiro processo de prensagem é processada no transportador onde ocorre a secagem da fibra. A fibra seca é utilizada como combustível na caldeira a vapor. As nozes sao polidas para retirada do resíduo das fibras.
A seguir sao transferidas para o moinho quebrador. As amendoas sao separadas das cascas. As cascas sao destinadas para combustível ou matéria prima para carvao ativado. As amendoas sao armazenadas para posterior beneficiamento.
As amendoas do fruto da palma sao quebradas, a seguir sao laminadas. A pasta produzida na laminaçao é cozida e prensada. O óleo bruto é filtrado no filtro prensa e a seguir transferido para o tanque de armazenagem, extraído mecanicamente ou por solvente. A torta é retirada do filtro prensa e armazenada em sacos.

PROCESSAMENTO DE REFINO FÍSICO
O processo clássico de refino físico continuo do óleo de palma, compreende tres seçoes:
Pré-Tratamento ácido
O óleo bruto é bombeado, com a vazao indicada pelo fluxômetro, passando pelo trocador de calor de placas, onde é aquecido com vapor de baixa pressao. O óleo aquecido recebe ácido fosfórico alimentado através de bomba dosadora e a mistura passa por um misturador de disco e um tanque de reaçao. Após o tempo de contato, a mistura é bombeada para o desaerador, onde o óleo é secado, desaerado e tem a temperatura controlada adequadamente ao processo de branqueamento.
Branqueamento
O vaso branqueador é abastecido através de um extravasor interligado ao desaerador. Um silo de terra de branqueamento, equipado com dosador automático, dosa a terra de branqueamento ao óleo. O vaso branqueador é dimensionado para dar o tempo de residencia e a agitaçao adequada, de modo a promover o contato ideal do óleo com a terra de branqueamento. A mistura é entao bombeada para um dos filtros herméticos de folhas filtrantes verticais, onde a terra de branqueamento é removida. Finalmente, o óleo branqueado passa por um dos filtros de polimento, sendo descarregado em um tanque pulmao. O branqueamento do óleo é feito sob vácuo de 50 torr, gerado por um conjunto de ejetores/ condensadores, acionados por vapor.
Destilaçao
O óleo a ser destilado é bombeado do tanque pulmao, através de um trocador de calor de placas, onde é aquecido com vapor de baixa pressao. O óleo aquecido é pulverizado em uma câmara de desaeraçao. Em seguida é bombeado através de um trocador regenerativo de calor, onde troca calor com o óleo que sai. Em outro trocador, é aquecido com fluído térmico ou vapor saturado de alta pressao, até a temperatura de destilaçao/desodorizaçao.
O destilador/desodorizador, submetido a vácuo de 3 torr, possui sistemas de bandejas internas, onde o óleo percorre um labirinto, com injeçao direta de vapor. Do destilador/desodorizador, o óleo é bombeado através do trocador regenerativo, onde aquece o óleo a ser destilado, e em seguida, em outro trocador é resfriado com água.
O óleo refinado, já frio, recebe uma dosagem de antioxidante, através de uma bomba dosadora e é homogeneizado no fluxo de óleo, através de um misturador estático, passando, em seguida, por um dos filtros de polimento final. Eventuais respingos de óleo do destilador/desodorizador sao coletados em um tanque, para posterior reprocessamento. Os ácidos graxos destilados sao condensados em um lavador de gases, através de um fluxo de óleo ácido que é bombeado em circuito fechado, passando por uma troca de calor.

FRACIONAMENTO DO ÓLEO DE PALMA
Por sua versátil composiçao em ácidos graxos e triglicerídeos, o óleo de palma, presta-se através de processamento, para a produçao de uma grande variedades de produtos. O fracionamento tira proveito das características do óleo de palma quando da fusao de triglicerídeos, produzindo oleina de palma e fraçoes de estearinas sólidas. Mais adiante, os processos de fracionamento resultam no comumente usado " double oilein " de palma fracionada ( liquida ) ou fraçao intermediária da palma, utilizada principalmente em gorduras de confeitaria industrial.
O processo de fracionamento desenvolve-se de modo descontínuo, por bateladas. A quantidade de óleo a ser fracionada é pré determinada no medidor. O óleo é transferido para tanques para obter melhor rendimento térmico, pois a temperatura é controlada automaticamente.
Nos tanques de resfriamento a temperatura é controlada e ajustada de acordo com o resultado do fracionamento que se deseja obter. Os tanques de resfriamento sao equipados com agitador de baixa rotaçao, cuja funçao é melhorar a eficiencia de troca térmica, nao permitir a precipitaçao a precipitaçao de eventual auxiliar filtrante e proporcionar uma distribuiçao homogenea dos cristais de estearina no volume total do tanque.
Dos tanques de resfriamento, o óleo é transferido através de uma bomba para o filtro, onde os cristais de estearina sao retidos, liberando a oleína filtrada.
A oleína filtrada é bombardeada para tanques de armazenamento e a estearina é aquecida e também bombardeada para outros tanques de armazenamento.

ARMAZENAMENTO E MANUSEIO DOS ÓLEOS
Sendo utilizados principalmente para a indústria de alimentos, o óleo de palma e palmiste devem ter manuseios e armazenagem adequados para que nao haja qualquer alteraçao na qualidade e propriedades do produto na entrega ao consumidor.
A garantia de qualidade é fundamental, pois esta sempre vinculada ao contrato de compra e venda.
O sistema atual de armazenagem é de múltiplos tanques cilíndricos verticais, cujas dimensoes sao determinadas por critério de projeto e o principal parâmetro é o custo da construçao.
É recomendável que tenha vários tanques de capacidade média, ao invés de um único tanque com grande capacidade. Todos os tanques devem ter sistema de aquecimento para facilitar e permitir o manuseio adequado do produto.
A capacidade máxima recomendada para armazenamento é a seguinte :

Produto
Capacidade máx.
Óleo bruto
3.000 ton
Óleo efinado
3.000 ton
Oleina
3.000 ton
Estearina
1.000 ton

O material adequado para a construçao dos tanques é o aço carbono laminado para o óleo bruto e o aço inoxidável para o óleo refinado e fraçoes. Acessórios de cobre, latao e bronze nao sao recomendados para partes em contato com o produto. Usualmente os tanques para estocagem de produto refinado sao fabricados em aço carbono, com revestimento interno em Epoxi.
Para manter as características do produto e facilitar o manuseio as temperaturas mínimas e máximas em oC para enchimento e esvaziamento do tanque sao a seguinte:

Produto
Mínima
Máxima
Óleo de palma bruto
50
55
Óleo de palma refinado
50
55
Estearina
55 - 60
65 - 70
Oleina
30
55
Fraçao intermediária
40
45
Óleo de palmiste>
30
35
Oleina de palmiste
30
35
Estearina de palmiste
40
45

Temperatura mínima e máxima em oC recomendada para armazenamento e transporte:

Produto
Mínima
Máxima
Óleo de palma
32
40
Estearina
40
45
Oleina
25
30
Fraçao intermediária
35
40
Óleo de palmiste
30
35
Oleina de palmiste
25
30
Estearina de palmiste
35
40

APLICAÇOES
Substituto do diesel - Pesquisas recente mostram que o óleo de palma bruto pode ser usado diretamente como combustível para acionar carros com motores adaptados. Foi constatado que a fumaça de escapamento produzida pelos motores com óleo de palma bruto era mais limpa que a dos motores com diesel.
Lubrificante de perfuraçao - Uso como lubrificantes de perfuraçao contínua faz com que este se difunda quando formaçoes de rochas mais duras sao perfuradas. Nao contém compostos aromáticos e ser atóxico, possui pontos de igniçao e anilina superiores a 65oC, tornando o mesmo adequado como base em lamas de perfuraçao.
Saboes - Sao uma mistura de sais sódicos de ácidos graxos, que podem ser derivados de óleos e gorduras pela sua reaçao com soda cáustica a 80o - 100o no processo conhecido como saponificaçao. O óleo de palmiste e a estearina de palma sao os mais utilizados no processo de produçao.
Óleo Epoxidado ( EPOP ) - Podem ser produzidos pela reaçao do óleo de palma, estearina de palma ou oleína de palma com perácidos. EPOP sao usados como plastificadores, estabilizantes para plástico e cloreto de polivinila PVC.

Ácidos graxos - MCT, Borracha, Velas, Cosméticos, Saboes, Saboes Metálicos
Estéres graxos - Cosméticos, Saboes, SME, Diesel, Agroquímicos
Álcoois graxos - FAS, FAE, FAES
Compostos graxos de nitrogenio - Imidazolinas, Ésteres quaternários
Glicerol - MG & DG

Referencias :
- Cultura do Dendezeiro na Amazônia Brasileira
Ismael de Jesus Matos Viégas
Antônio Agostinho Müller
- Malaysian Palm Oil promotion Council Latin America - MPOPC
Fonte: Ecoóleo

 

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