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Nome científico: Jatropha curcas L.
Família botânica: Euphorbiaceae
Outos nomes populares: Pinhao-paraguaio, pinhao-de-purga, pinhao-de-cerca, purgante-de-cavalo, manduigaçu, mandubiguaçú, figo-do-inferno, purgueira, mandythygnaco, pinhao croá.
Honduras, El Salvador: Tempate
EUA: physic nut, purging nut, Barbados nut
França: médicinier, pignon d'Inde, purghere
O pinhao pertence a família das Euforbiáceas, a mesma da mamona e da mandioca. Segundo Cortesao (1956), os portugueses distinguem duas variedades, catártica medicinal, a mais dispersa no mundo, com amendoas muito amargas e purgativas e a variedade árvore de coral, medicinal-de-espanha, árvores de nozes purgativas, com folhas eriçadas de pelos glandulares que segregam látex, límpido, amargo, viscoso e muito cáustico.
É um arbusto grande, de crescimento rápido, cuja altura normal é dois a tres metros, mas pode alcançar até cinco metros em condiçoes especiais. O diâmetro do tronco é de aproximadamente 20 cm; possui raízes curtas e pouco ramificadas, caule liso, de lenho mole e medula desenvolvida mas pouco resistente; floema com longos canais que se estende até as raízes, nos quais circula o látex, suco leitoso que corre com abundância de qualquer ferimento. O tronco ou fuste é dividido desde a base, em compridos ramos, com numerosas cicatrizes produzidas pela queda das folhas na estaçao seca, as quais ressurgem logo após as primeiras chuvas (Cortesao, 1956; Brasil, 1985).
Ainda de acordo com Cortesao (1956) e Brasil (1985), as folhas do pinhao sao verdes, esparsas e brilhantes, largas e alternas, em forma de palma com tres a cinco lóbulos e pecioladas, com nervuras esbranquiçadas e salientes na face inferior. Floraçao monóica, apresentando na mesma planta, mas com sexo separado, flores masculinas, em maior número, nas extremidades das ramificaçoes e femininas nas ramificaçoes, as quais sao amarelo-esverdeadas e diferencia-se pela ausencia de pedúnculo articulado nas femininas que sao largamente pedunculadas.
O fruto é capsular ovóide com diâmetro de 1,5 a 3,0 cm. É trilocular com uma semente em cada cavidade, formado por um pericarpo ou casca dura e lenhosa, indeiscente, inicialmente verde, passando a amarelo, castanho e por fim preto, quando atinge o estádio de maturaçao. Contém de 53 a 62% de sementes e de 38 a 47% de casca, pesando cada uma de 1,53 a 2,85 g.
A semente é relativamente grande; quando secas medem de 1,5 a 2 cm de comprimento e 1,0 a 1,3 cm de largura; tegumento rijo, quebradiço, de fratura resinosa. Debaixo do invólucro da semente existe uma película branca cobrindo a amendoa; albúmen abundante, branco, oleaginoso, contendo o embriao provido de dois largos cotilédones achatados.
A semente de pinhao, que pesa de 0,551 a 0,797 g, pode ter, dependendo da variedade e dos tratos culturais, etc, de 33,7 a 45% de casca e de 55 a 66% de amendoa. Nessas sementes, segundo a literatura, sao encontradas ainda, 7,2% de água, 37,5% de óleo e 55,3% de açúcar, amido, albuminóides e materiais minerais, sendo 4,8% de cinzas e 4,2% de nitrogenio. Segundo Silveira (1934), cada semente contém 27,90 a 37,33% de óleo e na amendoa se encontra de 5,5 a 7% de umidade e 52,54 a 61,72% de óleo. Para Braga (1976) as sementes de pinhao manso enceram de 25 a 40% de óleo inodoro e fácil de extrair por pressao. Segundo Peckolt (sd) este óleo, com peso específico a +19oR = 0,9094 e poder calorífico superior a 9,350 kcal/kg (Brasil, 1985), é incolor, inodoro, muito fluído, porém deixa precipitar-se a frio e congela-se a alguns graus acima de zero; é solúvel na benzina e seus homólogos, insolúvel no álcool a 96 oC e solúvel em água. Destrói-se a toxidez, aquecido a 100 oC, em soluçao aquosa com apenas 15 min. de calor.
O Pinhao manso (Jatropha curcas L.) está sendo considerado uma opçao agrícola para a regiao nordeste por ser uma espécie nativa, exigente em insolaçao e com forte resistencia a seca. Atualmente, essa espécie nao está sendo explorada comercialmente no Brasil, mas segundo Carnielli (2003) é uma planta oleaginosa viável para a obtençao do biodiesel, pois produz, no mínimo, duas toneladas de óleo por hectare, levando de tres a quatro anos para atingir a idade produtiva, que pode se estender por 40 anos.
Com a possibilidade do uso do óleo do pinhao manso para a produçao do biodiesel, abrem-se amplas perspectivas para o crescimento das áreas de plantio com esta cultura no semi-árido nordestino.
Para Purcino e Drummond (1986) o pinhao manso é uma planta produtora de óleo com todas as qualidades necessárias para ser transformado em óleo diesel. Além de perene e de fácil cultivo, apresenta boa conservaçao da semente colhida, podendo se tornar grande produtora de matéria prima como fonte opcional de combustível. Para estes autores, esta é uma cultura que pode se desenvolver nas pequenas propriedades, com a mao-de-obra familiar disponível, como acontece com a cultura da mamona, na Bahia, sendo mais uma fonte de renda para as propriedades rurais da Regiao Nordeste. Além disso, como é uma cultura perene, segundo Peixoto (1973), pode ser utilizado na conservaçao do solo, pois o cobre com uma camada de matéria seca, reduzindo, dessa forma, a erosao e a perda de água por evaporaçao, evitando enxurradas e enriquecendo o solo com matéria orgânica decomposta.
O plantio do pinhao já é tradicionalmente utilizado como cerca viva para pastos no Norte de Minas Gerais, com a vantagem de nao ocupar áreas importantes para outras culturas e pastagens e favorecer o consórcio nos primeiros anos, pois o espaçamento entre plantas é grande (Purcino & Drummond, 1986).
Óleo de pinhao manso em comparaçao com óleo diesel
Parametro
Diesel
Biodiesel de pinhao manso
Energia (MJ/kg)
42.6 - 45.0
39.6 - 41.8
Spec. peso (15/40 °C)
0.84 - 0.85
0.91 - 0.92
Ponto de solidificaçao
-14.0
2.0
Ponto de fulgor
80
110 - 240
Valor do cetano
47.8
51.0
Enxofre
1.0 - 1.2
0.13
Vantagens do Pinhao Manso
Entre as experiencias feitas com vegetais para uma futura substituiçao do óleo diesel como combustível, destacaram-se como plantas de alta possibilidade o pinhao-manso (Jatropha curcas L.), também conhecido como pinhao-de-purga, pinhao-paraguai, manduri-graça, mando-bi-guaçu e piao, e o pinhao-bravo (Jatropha pohliana M.), também conhecido como pinhao-branco.
Tanto o pinhao-manso como o pinhao-bravo vem sendo utilizados comumete como cerca viva, mas o pinhao-manso é usado também para a extraçao de óleo que serve para a fabricaçao de sabao e como purgativo para o gado bovino. Ensaios feitos com o óleo extraído do pinhao-manso (óleo-de-purgueira), comparando-o com o diesel, deram bons resultados. Num motor diesel, para gerar a mesma potencia, o consumo de óleo-de-purgueira foi 20% maior, o ruído mais suave e a emissao de fumaça, semelhante.
Considerou-se também possível o uso desse óleo nao apenas como combustível, mas também na indústria de tintas e de vernizes. Análises posteriores mostraram que o óleo de pinhao-manso tem 83,9% do poder calorífico do óleo diesel e o óleo de pinhao-bravo, 77,2%. Se o óleo de pinhao-manso for usado como substituto do diesel, o consumo será 16,1% maior; se a experiencia for feita com o óleo de pinhao-bravo, será 21,8% maior. Além disso, a torta que resta é um fertilizante rico em nitrogenio, potássio, fósforo e matéria orgânica. Desintoxicada, a torta pode também ser transformada em raçao, como tem sido feito com a torta de mamona. E a casca dos pinhoes pode ser usada como carvao vegetal e matéria-prima na fabricaçao de papel.
Vantagens:
. Severo na natureza; pode crescer e sobreviver com poucos cuidados em terra marginais (de pouco fertilidade).
. Crescimento rápido e planta de vida longa.
. Planta de fácil de propagaçao.
. Sementes nao comestíveis (tóxica), nem levadas por pássaros ou animais.
. Suportou com sucesso secas em Orissa, Índia.
. Biodiesel produzido foi testado analiticamente por DaimlerChrysler e recebeu status de promissor.
. Controle de erosao (reduçao da erosao do vento ou da água).
. Melhoria da fertilidade do solo.
. Aumento da renda para produtores rurais.
. Reduçao da saída de dinheiro das áreas rurais para os centros urbanos.
. Produçao de energia nas áreas rurais.
. A torta é muito valiosa como adubo orgânico e fertilizante.
. Planta altamente adaptável, com grande habilidade para crescer em locais pobres, secos.
Desvantagens:
. Baixa resistencia ao frio.
. Má qualidade da madeira.
. Sementes tóxicas.
. A torta que sobra nao pode ser usada para alimentaçao animal, devido as suas propriedades tóxicas.
Como Plantar
Na natureza, temos hora para plantar e hora para colher. Para termos sucesso em nossos plantios, esta máxima deve ser respeitada.
Com este objetivo, o plantio do pinhao em lugar definitivo, nós aconselhamos, caso nao seja irrigado, que se respeite a natureza. Transplantar para o local definitivo a partir da primavera até o mes de janeiro. Fazendo seu viveiro entre os meses de dezembro a março, as mudas estariam prontas para serem transplantadas, com cerca de 90 dias. Este tempo coincide com o final das chuvas na maior parte do Brasil, e o transplante nesta época nao é recomendado.
Na hora de transplantar a muda, molhar bem o viveiro e fazer o arranque com as maos, nao há necessidade de torao. A muda será com as raízes nuas.Nós optamos em fazer o viveiro diretamente no solo por alguns motivos que passaremos a explicar:
- Como nao existem pesquisas científicas indicando qual é a melhor maneira para a formaçao da melhor muda, optamos por esta prática por ser a mais econômica. O custo foi reduzido de 5 para 1, na implantaçao do viveiro.
- Alem disto notamos na formaçao de mudas por este método, as plantas se desenvolveram de maneira extraordinária, com um crescimento maior do que as mudas em saquinhos, uma formaçao muito maior de raízes, entre outras vantagens.
- Menor necessidade de irrigaçoes.
Em nossos experimentos, nem uma muda morreu utilizando esta prática.
A área onde será formado o pomar, deverá ser subsolado, arado e nivelado, se possível fazer a correçao de acides, usando calcário, se a analise do solo assim indicar. Ao invés de fazer covas com cerca de 70 cm, aconselhamos utilizar o subsolador com um ferro somente, e fazer a subsolaçao na linha do plantio. Após subsolado fazer a cova com uma enxada na profundidade adequada de acordo com as raízes da muda.
O pinhao manso, produz em quase todos os tipos de solo drenados, até os de pouca fertilidade, mas, vale ressaltar, que nao é uma planta milagrosa, em terras boas produzirá mais. Aconselhamos, ao fazer o transplante, colocar cerca de 100 gramas de adubo,em cada cova, 04.20.20, ou outra formula acima disto.
Fazendo o transplante em março ou abril, as plantas, por deficiencia hídrica, nao se desenvolverao como seria o ideal. Porém, caso queira fazer o replantio quando as mudas atingirem cerca de 60 cm de altura, e já formaram um caule lenhoso, isto acontece após cerca de 90 dias da semeadura, poderá faze-lo.
Ao replantar a muda, cortar o ponteiro da planta, deixando a muda com 30 a 50 cm de altura no máximo. Este corte do ponteiro, obriga a planta a emitir diversos brotos laterais ao caule. Estes brotos laterais farao com que a planta começe a se formar em estilo taça, que é o objetivo que pretendemos alcançar.
Na formaçao de um plantio de pinhao, devemos atentar para que as plantas, seus galhos, sua formaçao, preencha o maior volume possível do espaço, para que quando as plantas estiverem adultas, tirando uma foto aérea, nao apareçam buracos onde se possa ver o solo. Isto nos dará a certeza que o pomar está cheio de galhos, folhas aumentando a fotossíntese e produzindo mais por hectare.
O pinhao é uma planta que aceita muito bem a poda. As podas de manutençao deverao ser feitas na saída do inverno, visando conduzir a planta, ocupando possíveis espaços que possam vir a existir entre as plantas, e para manter a planta numa altura que favoreça a colheita sem necessidade de usar escadas, ou seja em torno de 2 metros de altura ,mesmo quando adultas.
Em um plantio experimental, o espaçamento poderá ser de dois metros entre plantas e de tres metros entre linhas. A seu critério, pode fazer também 2x2 , 2x2,5, 3x3 metros. No nosso entender aconselhamos plantios adensados, 2x2 ou 2x2,5 metros.No nordeste e norte, sendo plantio irrigado o espaçamento poderá ser de 1 x 3 metros.
Propriedades Físicas do Pinhao Manso
A tabela da composiçao do fruto do pinhao manso indica os resultados das análises processadas em diversos lotes de sementes de pinhao-manso, oriundas de Riacho da Cruz, município de Januária, cujos rendimentos médios de óleo representam cerca de 38% do peso da semente seca.
Partes
Peso de 100 Unidades em (g)
Umidade
(%)
Teor de Óleo Base Seca (%)
Fruto inteiro
86,7
100,0
11,0
28,1
Epicarpo
22,7
26,2
14,8
-
Semente
64,0
73,8
9,5
38,1
Casca
24,1
27,8
16,2
-
Albúmen
39,9
46,0
5,6
60,8
Fonte: CETEC
As características fisico-químicas do óleo de pinhao-manso estao discriminadas na tabela de analise físico-química o óleo onde se apontam, a título de comparaçao, os resultados analíticos obtidos em laboratórios distintos. Ressalve-se, porém, que as amostras possuem acidez livre variáveis e, portanto, podem acarretar diferenças em suas propriedades.
Características físico-químicas
Fontes de Analise
CETEC
INT (19)
PORTUGAL(14)
Teor em ácidos graxos livres(como acido oléico %)
0,96
6,70
4,20
Densidade a 25°C (g/cm3)
0,9069
0,9082
0,9205 (15°C)
Índice de refraçao a 25°C
1,4680
-
1,4728 (15°C)
Índice de saponificaçao
189,0
167,0
190,0
Índice de Iodo
97,0
109,6
98,0
Insaponificáveis (%)
1,1
2,9
-
Índice de Peróxido
9,98
-
-
Ponto de Solidificaçao
< -10,0
-
-13,0
Cor ASTM
1,0
-
-
Cinzas (%)
< 0,1
-
-
Poder calorífico superior (Kcal/Kg)
9,350
9,380
9,169
Peso molecular médio
866
-
-
Viscosidade a 37,5°C (cSt)
31,5
27,3
-
CHN Carbono
76,89
-
-
CHN Hidrogenio
11,44
-
-
CHN Oxigenio
11,67
-
-
Índice de hidroxila
76,6
-
-
Embora o índice de iodo seja o mesmo do óleo da polpa de dende, indicativo, portanto para ambos, de uma estrutura química de mesmo grau de instauraçao, a diferença marcante entre os correspondentes óleos reside no baixo ponto de solidificaçao do óleo de pinhao-manso, inferior a 10 graus Celsius negativos, bastante diferente dos valores atribuídos aos óleos de macaúba e de dende, em torno de 15 graus Celsius positivos, aspecto que pode favorecer o emprego direto do óleo de pinhao-manso, puro ou em mistura com diesel, nos motores de combustao interna, mesmo nas regioes de clima temperado.
A tabela da composiçao química em ácidos graxos do pinhao manso mostra os valores referentes a composiçao química em ácidos graxos do óleo de pinhao-manso, determinados com base na análise por cromatografia em fase gasosa. As diferenças verificadas entre os dados obtidos em laboratórios diversos sao pouco significativas; basicamente, representam modificaçoes nos teores de ácido linoleíco, cuja estrutura e mais susceptível a alteraçoes químicas, dependendo da origem e do estado de conservaçao das sementes.
Ácidos Graxos
Pinhao - Manso
Pinhao-Bravo
CETEC
INT (19)
INT (19)
Acido Pamítico
14,3%
15,5%
13,5%
Acido Palmitoleico
1,3%
-
-
Acido Esteárico
5,1%
5,4%
6,2%
Acido Oléico
41,1%
44,2%
22,9%
Acido Linoleico
38,1%
34,9%
57,4%
Acido Linolenico
0,2%
-
-
Ácidos Saurados
19,4%
20,9%
19,7%
Ácidos Insaturados
80,6%
79,1%
80,3%
Além das vantagens apresentadas, que certamente colocam o pinhao-manso entre as oleaginosas mais promissoras, as variaçoes de acidez nas sementes sao pouco expressivas, mesmo nos períodos longos de armazenamento. Com efeito, sementes condicionadas em sacos, durante mais de 1 ano, por moradores de Riacho da Cruz, apresentaram acidez livre inferior a 6%. Por outro lado, a manutençao de graos recem coletados em dessecadores por períodos até 6 meses nao implica em alteraçoes substanciais do grau de acidez das amostras, cujo teor em ácidos graxos livres foi sempre inferior a 2%.
A preservaçao das sementes do pinhao-manso durante longos períodos de tempo constitui efetivamente, num dos aspectos mais favoráveis da euforbiácea, o que resultará em menores custos de sua produçao agrícola, certamente bem inferiores aos de outras culturas oleaginosas, como dende ou macaúba, cujos frutos sao rapidamente deterioráveis, motivo por que se exige seu processamento no máximo 48 horas após a coleta.
A auto-oxidaçao do óleo de pinhao-manso durante a estocagem pode, contudo, ser acelerado por açao de calor, oxigenio ou traços de metais pesados, e de seus cátions, comumente presentes nos materiais empregados na fabricaçao dos tanques de armazenagem, o que pode conduzir ao desenvolvimento de reaçoes laterais, como a formaçao do aldeídos saturados, por exemplo, hexanal , heptanal ou nonanal, ou de compostos corrosivos. Por tais razoes, os estudos preliminares devem ser conduzidos também para avaliar e minimizar, talvez por adiçao de inibidores, os efeitos da auto-oxidaçao dos óleos instaurados.
Sem considerar o pericárpio do fruto, cujo aproveitamento para geraçao de vapor nas caldeiras irá atender as necessidades energéticas na fase industrial de processamento das sementes, a torta residual, representada pela casca e albúmen da semente, terá emprego direto como fertilizante de qualidade ímpar, tendo em vista os índices elevados de nitrogenio, potássio e fósforo, em quantidade pouco vistas em outros concentrados naturais.
No caso da separaçao da casca da semente durante a fase industrial, talvez seja mais conveniente usar a própria casca como insumo calorífico, em vista do seu alto teor de lignina reservando-se a torta do albúmen e também as cinzas da carbonizaçao para a fertilizaçao dos campos cultivados de pinhao-manso.
Constituintes
Casca
Albúmen
Semente
Cinzas
8,40
6,73
7,36
Extrativos
2,60
24,41
16,19
Proteína
7,80
56,88
38,38
Fibra
53,52
4,33
22,88
Lignina
36,72
0,63
14,23
Fonte: CETEC
A tabela de analise inorgânica das cinzas mostra os resultados obtidos nas análises de elementos inorgânicos presentes nas cinzas do fruto, e chamando a atençao para os teores bastante elevados de fósforo e potássio, além da incidencia, também significativa, de cálcio e magnésio, elementos nutrientes essenciais para o bom desenvolvimento vegetativo da planta.
Constituintes Inorgânicos
Torta de Semente Integral
Torta de Alúmen
P2O5
30,6
44,2
SiO2
1,3
0,2
Na2O
1,3
0,4
K2O
31,5
32,5
Cao
11,5
9,3
MgO
16,8
6,6
Fonte: CETEC
Outra possibilidade seria aliviar a possível toxidez da torta e utilizá-la para o balanceamento de raçoes animais, através de técnicas a serem pesquisadas, tendo em vista o seu alto teor protéico. No caso do pinhao, a torta representa 39,2% se considerar a semente sem casca; ou 61,81 com semente integral.
A torta obtida a partir do albúmen contem em torno de 57% de proteína bruta, acrescida de carboidratos, lipídeos, sais minerais e vitaminas. Ao lado do aspecto puramente quantitativo e importante que se atento para a qualidade da proteína, determinada por sua composiçao em aminoácidos, tornando-se a torta obtida do albúmen, de baixo teor de fibra, de emprego potencial na raçao de monogástricos, inclusive o homem.
As principais características químicas de uma série de óleos vegetais, extraídos de espécies nativas, sao apresentadas na tabela das características químicas de óleos vegetais nativos, que ordena os diferentes óleos segundo o grau de instauraçao.
Características Químicas de óleos vegetais
Indaiá - Rasteiro (Amendoa)
Dende (Amendoa)
Mamona (Semente)
Pinhao (Semente)
Cotieira (Amendoa)
Índice de Iodo (Wijs)
16
18
85
97
125
Índice de Saponificaçao
255
248
187
189
197
Índice de Peróxido
3,0
2,1
2,0
10,0
16,2
Índice de Acidez
1,0
1,2
0,2
2,0
0,4
Numero de Hidroxila
-
-
157,0
76,6
12,0
Insaponificáveis (%)
0,5
0,8
0,5
1,1
1,2
Peso Molecular
677
706
924
866
837
PRODUÇAO E PRODUTIVIDADE
A produtividade do pinhao manso varia muito, em funçao da regiao de plantio, método de cultivo e tratos culturais, idade da cultura, bem como da quantidade de chuva e da fertilidade do solo. Segundo Brasil (1985), em espaçamento 3x3, o rendimento anual de óleo pode atingir de 3,0 a 4,0 t/ha. Para Carnielli (2003), o pinhao manso produz, no mínimo, duas toneladas de óleo por hectare/ano. Adam (1953) apresenta um rendimento de 4 a 5 kg de frutos por planta e Peixoto (1973) afirma que o rendimento dessa cultura varia de 500 a 1.200 kg de sementes limpas por hectare.
Já Purcino e Drummond (1986) observaram, em Minas Gerais, numa área de baixada irrigada com boa fertilidade, onde havia antes um bananal, que o pinhao começou a produzir logo no 2o ano, atingindo 2.000 kg/ha de sementes. Para esses autores, o potencial de produçao do pinhao em semente ficou evidenciado, todavia, pelas produçoes das melhores plantas, 6.468 e 6.373 kg/ha no 1o ciclo de colheitas.
Expectativa de produçao:
Ano
Produçao estimada kg/hectare
1o Ano
250
2o Ano
1.000
3o Ano
2.500
4o Ano
5.000
5o Ano
8.000
6o Ano e posteriores
10.000
CLIMA E SOLO
Apesar de pouco exigente em condiçoes climáticas e solo fértil, adaptando-se facilmente a variadas condiçoes, o pinhao manso deve preferencialmente ser cultivado em solos profundos, bem estruturadas e pouco compactados para que o sistema radicular possa se desenvolver e explorar maior volume de solo, satisfazendo a necessidade da planta em nutrientes. Devem ser evitados os solos muito argilosos, rasos, com umidade constante, pouco arejados e de difícil drenagem (Peixoto, 1973; Brasil, 1985).
Preparo do solo, adubaçao e calagem
O solo deve ser preparado com arado, de preferencia de aiveca, devido ao melhor revolvimento e enterrio das sementes das plantas daninhas, sendo em seguida nivelado por uma grade leve que nao seja aradora. O solo pode ser preparado seco ou no ponto da friabilidade, dependendo de sua textura e estrutura.
Em solos ácidos, com pH abaixo de 4,5 as raízes do pinhao nao se desenvolvem, sendo necessário a realizaçao de calagem com base na análise química do solo, a qual indicará a quantidade de calcário, gesso, macro e micronutrientes necessários para satisfazer a exigencia da cultura.
A calagem deve ser realizada cerca de 3 meses antes do plantio, com o calcário incorporado a uma profundidade de até 20 cm do solo, em duas aplicaçoes, antes da araçao e quando da gradagem específica para a correçao do solo (Peixoto, 1973).
A adubaçao deve seguir as recomendaçoes da análise química completa do solo, incluindo o teor de matéria orgânica (M.O.% = N% x 20).
Segundo Brasil (1985) o aproveitamento dos resíduos da extraçao do óleo como adubo orgânico nos plantios desta euforbiácea, além de enriquecer o solo com matéria orgânica, incorpora significativa quantidade de nitrogenio, fósforo e potássio, contribuindo para manter um nível de produtividade mais regular da cultura e diminuindo o consumo de fertilizantes químicos. Para esse autor, a adubaçao verde com leguminosas é outro procedimento recomendado para a fertilizaçao dos campos cultivados com o pinhao manso, pois de modo geral fornecem altos rendimentos por unidade de área plantada, fixando o nitrogenio atmosférico e transferindo aos solos, por decomposiçao orgânica, os nutrientes essencias como fósforo, cálcio ou enxofre além do nitrogenio.
O pinhao pode ser reproduzido via sexuada ou multiplicado por estacas. Em ambos os casos, a seleçao das matrizes deve ser rigorosa, escolhendo-se as melhores plantas. De modo geral, as plantas oriundas de sementes sao mais resistentes e de maior longevidade, atingindo idade produtiva após quatro anos, enquanto as provenientes de estacas sao de vida mais curta e sistema radicular menos vigoroso, mas começam a produzir no segundo ano. Quando obtida por via sexual, em boas condiçoes de produçao, a longevidade desta euforbiácea é de 30 a 50 anos, podendo viver até mais de um século (Cortesao, 1956; Peixoto, 1973).
Cultivo por sementes
As sementes utilizadas na disseminaçao devem provir de plantas robustas e saudáveis, dotadas de boa produtividade. O sistema de propagaçao em viveiros é mais racional e deve ser o recomendado, pois estando sujeita a melhores cuidados nos primeiros 2 anos certamente irá a planta adquirir maior resistencia e possuir melhor conformaçao.
Cultivo por estacas
O plantio por estacas, embora tecnicamente nao seja o mais recomendado, é, contudo, o preferido por muitos agricultores, devido a maior simplicidade e economia. Estas devem ser cortadas dos ramos lenhosos com um ou dois anos, em plantas isentas de pragas e doenças, utilizando-se ferramentas afiadas para evitar o esmagamento dos tecidos e voltando a estaca para cima para que o látex coagule em volta do golpe, onde surgirao as primeiras raízes. Para o exito do plantio as estacas devem ser retiradas dos ramos mais próximos da base do caule, ladroes ou rebentoes, sendo preferidos os ramos nao muito grossos, retos, de entrenós curtos, casca lisa, acinzentadas e brilhantes, com 40 a 50 cm e comprimento.
As sementes e estacas devem ser mantidas na sementeira até alcançarem cerca de 8 a 12 cm de altura, quando passam da fase herbácea para lenhosa, para serem levadas para o viveiro ou diretamente para o campo de cultivo.
Segundo Cortesao (1956) e Peixoto (1973), na propagaçao do pinhao também pode ser utilizada a enxertia, seguindo as normas de borbulhia e garfagem estabelecidas para as demais plantas. Utiliza-se o sistema de garfagem para aproveitar plantas de baixa produçao com garfo de outra com produtividade elevada.
Plantio e espaçamento entre plantas
Após limpeza do terreno com incorporaçao da vegetaçao existente e solo devidamente preparado, realiza-se a abertura das covas nas dimensoes usuais de 30 x 30 x 30 cm, adotando-se o espaçamento de 2 a 5 m, em todos os sentidos, de acordo com a fertilidade e condiçoes físicas do solo, condiçoes climáticas e modo de conduçao das plantas.
Dependendo do espaçamento utilizado podem-se selecionar plantas, arrancando as de baixa produtividade para aumentar a área de exploraçao das demais ou enxertando com material das mais produtivas. O plantio pode ser em xadrez, quadrado ou em outra forma. Pra cercas vivas, o espaçamento deve ser de 20 a 50 cm entre as sementes ou estacas que sao preferíveis (Cortesao, 1956; Peixoto, 1973).
A semeadura e o plantio definitivo tem a grande vantagem de evitar traumatismo nas raízes, o que repercute durante todo o ciclo da planta, todavia, requer constante vigilância das plantinhas contra pragas e doenças, além da necessidade de constantes capinas, até as plantas serem capazes de suportar a competiçao das ervas daninhas por água, luz e nutrientes. No viveiro, as mudas dispensam todos os cuidados exigidos pelas mudas no campo, mas sofrem o danoso traumatismo nas raízes.
O plantio das estacas é feito nas covas, enterrando-as até 20 cm de profundidade, ligeiramente inclinada na direçao nascente-poente, firmando bem a terra a sua volta. O plantio de raiz nua ou em bloco pode ser imediatamente após o preparo da cova, desde que a muda fique com o colo ou nó vital a 4 ou 6 cm acima do nível do solo. Após o pegamento das mudas procede-se a adubaçao conforme a análise química, incorporando a mistura de fertilizantes aos primeiros 5 ou 10 cm da cova. Repete-se essa adubaçao após seis meses. Após esse período a adubaçao deve ser feita uma vez ao ano, sempre seguindo a recomendaçao do laboratório (Peixoto, 1973).
A melhor época para o plantio é no início das primeiras chuvas, para assegurar bom desenvolvimento das plantas. No entanto, quando se dispoe de água para irrigaçao, o plantio pode ser feito em qualquer época.
Tratos culturais Pragas e Doenças
Apesar de se tratar de uma planta rústica, deve-se manter o terreno sempre livre de plantas daninhas, principalmente em volta das plantas, pois a concorrencia daquelas em água, ar, luz e nutrientes pode prejudicar e atrasar o desenvolvimento do pinhao, além de abrigar pragas e/ou insetos transmissores de doenças. O espaçamento permite que sejam feitas capinas mecanizadas ou com traçao animal, até mesmo quando em consórcio com outras culturas, o que deve ser feito com a finalidade de reduzir custos com a cultura principal.
O cultivador a traçao animal pode ser utilizado no espaçamento de 70 x 90 cm, permitindo o consórcio, nos primeiros anos, de milho, feijao, amendoim, entre outras.
O pinhao é uma planta pouco atacada por parasitas, mas tem sido verificadas algumas ocorrencias como as apresentadas a seguir:
Saúva (Atta sexdens rubropilosa)
Se o terreno era de mata, tendo formigueiros de saúva, retirando-se a cobertura original e plantando-se o pinhao a formiga saúva poderá atacar com intensidade, cortando as plantinhas novas. Os formigueiros devem ser combatidos antes do plantio.
Em áreas extensas, devem-se deixar faixas de 10 a 20 m de largura, em relaçao a curva de nível, com vegetaçao primitiva, para um melhor equilíbrio ecológico. A faixa da cultura poderá ter entao 80 a 100 m de largura, entre as faixas de vegetaçao nativa.
Formiga "Rapa-rapa"
Alimenta-se da casca da estaca ou da muda da planta. Podendo matá-la. Mas, assim como a saúva, prefere oytras plantas. Seus ninhos sao fáceis de ser destruídos, pois sao muito superficiais.
Ácaro-branco (polyphagotarsonemus latus)
A planta atacada paralisa seu crescimento, ficando suas folhas branca prateadas. Aparece em focos, formando reboleiras. A Aparece em focos, formando reboleiras. A aplicaçao de enxofre em pó nas plantas afetadas, logo que a planta aparece, controla-a bem. Esta aplicaçao deve ser feita ao amanhecer, sem ventos, ou malhando-se as plantas primeiramente com pulverizaçao de água pura, principalmente os brotos terminais da planta.
Ácaro Vermelho (Tetranychus sp.)
Com corpo avermelhado, tem menos importância, ocorrendo em geral em folhas maduras do pinhao. A aplicaçao do enxofre em pó é também eficiente para o controle dessa praga.
Trips (Selenothrips rubrocinatus)
Suas larvas sao avermelhadas e caracterizadas pela gotícula de uma excreçao vermelha sempre apensa ao extremo do abdômen da larva. Formam colônias bem visíveis a olho nu. O adulto é preto, de formato típico de um trips, corpo fino, de movimentos rápidos.
Oídio (Oidium sp)
Fungo que forma, nas partes verdes do pinhao, uma cobertura branca, em forma de p; em Graos Mogol foi encontrado secando o broto terminal da muda, mas em geral nao prejudica a planta. A aplicaçao de enxofre em pó é também uma boa medida de combate.
Cupins
Esta praga pode matar a planta em qualquer idade. Destrói a casca na regiao basal do caule,a qual apodrece, caindo o tronco da planta ao chao. A aplicaçao de aldrin 5% ou produto semelhante, na cova, deve ser feita nas regioes da muda, com uma pasta feita de sulfato de cobre, cal-virgem e aldrin, será de grande utilidade.
Colheita e Beneficiamento
O pinhao manso inicia a produçao já no primeiro ano. É aconselhável fazer suas mudas em viveiro nos primeiros meses do ano e fazer o transplante para o local definitivo no inicio das chuvas na primavera.
A produçao no primeiro ano pode alcançar até 500 quilos por hectare, dependendo de condiçoes locais, de clima e de solo. No segundo ano a produtividade aumenta para cerca de 1.500 quilos por hectare, passando para aproximadamente 3.000 quilos no terceiro, subindo para cerca de 5.000 a partir do quarto ano.
Nao encontramos até o momento outra maneira para a colheita que nao seja a manual. O ponto ideal de colheita é quando o fruto começa a mudar de cor, de verde para amarelo.
Temos ouvido em nossas andanças por este Brasil afora diversas opinioes sobre métodos de colheita, tais como colocar uma lona no solo e vibrar a planta. Vale lembrar que utilizando este método cairao frutos verdes também, alem de flores. Usar o sistema guarda chuva identico ao usado na europa para a colheita da azeitona, causando o mesmo problema.
Aguardar que todos os frutos amadureçam, daí usar a lona e vibrar a planta. É bom lembrar que o pinhao manso é uma leguminosa, e todas as leguminosas nao aceitam por diversas vezes períodos de umidade intercalados com períodos de seca, sob pena de aumento da acidez do óleo. Este método poderá ser usado em determinados meses e algumas regioes do Brasil, nos periodos de inicio de seca.
Somente para exemplificar, a soja após atingir o ponto de colheita, se tomar duas ou tres chuvas inicia um processo chamado de ardencia, ou seja, inicia um processo de aumento de acidez de seu óleo. Com o pinhao manso nao é diferente.
Outras Espécies de Jatropha
Jatropha pohliana (Pinhao-bravo)
Variedades:
. molíssimo Muell. Arg.
. subgrabla Muell. Arg.
. velutina Pax e Hoffm
Encontrado em todo o nordeste brasileiro; arbusto lenhoso, folhas longo-pecioladas, orbiculares, palmatilobadas, pubescentes, de bordas espinhosas; inflorescencia em cimos; flores amarelo-esverdeadas com raias vermelhas; fruto deiscente em cápsula com 3 lóculos, com 3 sementes elípticas, oleaginosas, de dimensoes inferiores as do pinhao-manso, pesando cada semente cerca de 0,38g.
Jatropha gossypifolia Linn. (Pinhao-roxo)
Habita o nordeste e sudoeste do Brasil. Em Minas Gerais, sua ocorrencia é nativa, sobrevivendo e propagando-se espontaneamente junto a vegetaçao natural, sendo encontrado em locais onde o pinhao-manso nao prospera; arbusto mais frágil, de folhas glabras e pecioladas, palmadas, lobadas, margens ciliadas ou glandubíferas, 3-5 partidas ou 3-5 lobadas, com segmentos ovadas, pontiagudos, denticulados ou inteiros; as folhas recentes sao avermelhadas; flores violáceas, inflorescencia em cimeiras, cápsula ovóide e sub-globosa, com 3 lóculos contendo 3 sementes oleaginosas, também de dimensoes inferiores as do pinhao-manso; propriedades purgativas mais intensas que o pinhao-manso.
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