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  Pinus

Apresentação
Espécies de Pinus vem sendo plantadas, em escala comercial, no Brasil, há mais de 30 anos. Inicialmente, os plantios mais extensos foram estabelecidos nas Regioes Sul e Sudeste, com as espécies P. taeda para produçao de matéria-prima para as indústrias de celulose e papel e P. elliottii para madeira serrada e extraçao de resina.  Atualmente, com a introduçao de diversas espécies, principalmente das regioes tropicais, a produçao de madeira de Pinus tornou-se viável em todo o Brasil, constituindo uma importante fonte de madeira para usos gerais, englobando a fabricaçao de celulose e papel, lâminas e chapas de diversos tipos, madeira serrada para fins estruturais, confecçao de embalagens, móveis e marcenaria em geral.
A grande versatilidade das espécies para crescer e produzir madeira em variados tipos de ambiente, bem como a multiplicidade de usos da sua madeira possibilita a geraçao desse recurso natural em todo o território nacional, em substituiçao as madeiras de espécies nativas. O desenvolvimento da tecnologia de utilizaçao da madeira de pínus e a ampliaçao das alternativas de uso tornaram essas espécies cada vez mais demandadas no setor florestal. Em decorrencia disso, vem aumentando o número de produtores, especialmente pequenos e médios proprietários rurais, interessados no plantio e manejo de Pinus, em busca de dados técnicos para plantio, manejo e viabilizaçao do agronegócio com estas espécies.  Este trabalho foi elaborado na tentativa de suprir as informaçoes básicas necessárias aos produtores, visando elevar a cultura de pínus como alternativa estratégica e rentável nos setores florestal e agroflorestal brasileiro.

Espécies
Espécies de Pinus mais plantadas no Brasil
As espécies de Pinus que se destacaram, inicialmente, na silvicultura brasileira, foram P. elliottii e P.taeda, introduzidas dos Estados Unidos, visto que as atividades com florestas plantadas eram restritas as Regioes Sul e Sudeste. A partir dos anos 60, iniciaram-se as experimentaçoes com espécies tropicais como P. caribaea, P.oocarpa, P. tecunumanii, P. maximinoi e P. patula possibilitando a expansao da cultura de Pinus em todo o Brasil, usando-se a espécie adequada para cada regiao ecológica.
A partir dos anos 80, experimentos com amostras de uma ampla variedade de procedencias das espécies já conhecidas, bem como de espécies tropicais possibilitou a ampliaçao de opçoes de espécies e o potencial econômico desses Pinus em plantios comerciais. Espécies como P. maximinoi, P. chiapensis e P. greggii poderao, brevemente, ser incorporadas, operacionalmente, como produtoras de madeira, assim que estudos de produtividade e adaptaçao das diferentes procedencias chegarem a maturidade e os povoamentos entrarem em fase de produçao de sementes.

Preparo de área
Para se estabelecer um plantio de Pinus por mudas, devem ser consideradas várias situaçoes na tomada de decisao sobre o preparo da área. Um dos fatores que mais influenciam no crescimento do Pinus é a profundidade efetiva do solo. Mesmo sendo árvores que atingem grandes dimensoes, poucas raízes sao encontradas a mais de 60 cm de profundidade. Assim, se o plantio for em áreas que eram anteriormente utilizadas com cultivos agrícolas mecanizados, é recomendável preparar o solo com subsolador pois é provável que ele esteja compactado. O mesmo procedimento deve ser adotado em áreas com solos pedregosos na superfície e com profundidade efetiva maior que 50 cm.
Em áreas previamente utilizadas com pastagem, a profundidade da subsolagem pode ser reduzida, uma vez que a compactaçao, decorrente de pisoteio, é superficial. Nestes casos, o mais importante é o controle das gramíneas, durante o primeiro ano do plantio.
Em áreas de plantio de segundo ciclo de Pinus, o preparo do solo será necessário somente se a colheita e a retirada da madeira tiverem sido mecanizadas pois estas operaçoes sempre causam compactaçao do solo. Quanto maior o teor de umidade no solo, mais profunda e mais severa serao os efeitos desses equipamentos na compactaçao do solo.

Doenças
O pínus pode ser atacado por patógenos, principalmente fungos, desde a fase de viveiro até em plantios adultos. Os principais problemas de doenças em pínus sao:

Ocasionada por geada

Sintomas e sinais: Desde queima de ponteiros até a perda total da copa; queima e bronzeamento das acículas; morte de mudas e árvores jovens. Causas: Declínio brusco da temperatura ambiente e congelamento, com ou sem formaçao de crosta de gelo sobre a planta. Controle: Proteger as mudas em viveiros; usar espécies ou procedencias tolerantes ou resistentes.

Enovelamento de raízes
Sintomas e sinais: Plantas pouco desenvolvidas; seca e morte de plantas. Causas: Plantio de mudas com sistema radicular enovelado; entortamento de raízes na ocasiao do plantio. Controle: Evitar o uso de mudas passadas e com raízes enoveladas; evitar o entortamento de raízes durante o plantio.

Afogamento do coleto
Sintomas e sinais: Intumescimento do colo; plantas pouco desenvolvidas; seca e morte de plantas. Causas: Enterrio de parte do caule das mudas; aterramento da muda no campo, decorrente de descuido nos tratos culturais ou enxurrada. Controle: Cuidados no plantio e no preparo de solo para evitar o afogamento.

Fumagina
Sintomas e sinais: Crescimento de fungos, de coloraçao escura, sobre acículas e hastes de mudas e árvores jovens; diminuiçao dos processos de fotossíntese, respiraçao e transpiraçao da planta. Causas: Desenvolvimento de fungos sobre substâncias excretadas por pulgoes. Controle: Controle dos pulgoes

Seca de ponteiros e morte de árvores por Sphaeropsis
Sintomas e sinais: Lesoes deprimidas com exsudaçao de resina na base de ponteiros; encurvamento, seca e morte de ponteiros; lesoes resinosas e pequenos cancros em tronco de árvores jovens; morte de árvores injuriadas; colonizaçao e azulamento da madeira. Causas: Ataque do fungo Sphaeropsissapinea (ex-Diplodia pinea). Controle: Plantar espécies ou procedencias resistentes; efetuar manejo adequado dos plantios (desrama e desbaste); secar e processar, prontamente, a madeira após a derrubada da árvore ou usar produtos químicos (caso do azulamento da madeira).

Queima de acículas por Cylindrocladium
Sintomas e sinais: Formaçao de lesoes de cor marron-avermelhada, que estrangulam a acícula; copa com aparencia de chamuscada por fogo. Causas: Ataque do fungo Cylindrocladiumpteridis. Controle: Plantio de espécies resistentes

Armilariose
Sintomas e sinais: Amarelecimento geral da copa seguido de murcha, bronzeamento e seca das acículas; apodrecimento de raízes; colonizaçao da entre-casca de raízes e colo por uma trama micelial espessa; produçao de cogumelos do patógeno em árvores mortas. Causas: Ataque do fungo Armillaria sp. Controle: Remover restos vegetais de áreas recém-desmatadas durante o preparo do solo para plantio; evitar o plantio de mudas passadas ou com sistema radicular enovelado; plantar espécies suscetíveis em áreas isentas do patógeno ou já cultivadas com espécies agrícolas nao hospedeiras do fungo; possibilidade de uso de controle biológico.

Queima de mudas por Sphaeropsis
Sintomas e sinais: Murcha e secamento de gemas. Causas: Ataque do fungo Sphaeropsissapinea (ex-Diplodia pinea). Controle: As mesmas recomendaçoes dadas para tombamento

Mofo cinzento
Sintomas e sinais: Enrolamento de folhas, seca e queda das mesmas; formaçao de mofo acinzentado sobre as plantas afetadas. Causas: Ataque do fungo Botrytiscinerea logo após a ocorrencia de queima pela geada em brotos jovens de mudas. Controle: As mesmas recomendaçoes dadas para tombamento

Tombamento de mudas
Sintomas e sinais: Lesao necrótica na regiao do colo da plântula; murcha, enrolamento e secamento de cotilédones; tombamento de plântulas em reboleira e morte. Causas: Ataque dos fungos dos generos Cylindrocladium, Fusarium, Phytophthora, Pythium e Rhizoctonia na fase de germinaçao, destruindo as plântulas; uso de substratos contaminados por fungos de solo; condiçoes de alta umidade no viveiro. Controle: usar sementes, substrato e água de irrigaçao livres de patógenos; adotar substratos com boa drenagem; semear diretamente em tubetes suspensos; evitar sombreamento excessivo das mudas; ralear as plântulas o mais cedo possível; selecionar e descartar plantas doentes e mortas; retirar recipientes sem mudas, com mudas mortas e com plantas de folhas caídas e senescentes; aplicar adubaçao equilibrada nas mudas; usar sistema de irrigaçao adequado.  Químico - fumigar o substrato com produtos de amplo espectro e aplicar fungicidas; Físico - desinfestar o substrato com calor (vapor, água quente ou solarizaçao); Biológico - usar linhagens ou espécies de agentes de controle biológico.

Podridao-de-raiz
Sintomas e sinais: Murcha e morte de mudas; lesoes necróticas em raízes. Causas: Ataque dos fungos Cylindrocladium sp. e Fusarium sp. Controle: As mesmas recomendaçoes dadas para tombamento e evitar o plantio de mudas infectadas com a doença em viveiro.

Aspectos gerais
O pínus pode ser atacado por diveras pragas, destacando-se dentre ela, as seguintes: formigas, vespa-da-madeira e pulgoes.

Sistemas de plantio
A operaçao de plantio é formada de várias açoes e constitui uma das etapas mais importantes para o sucesso do estabelecimento de florestas plantadas. O sistema de plantio mais adequado é definido com base no objetivo do empreendimento e nos usos a que se destinarao os produtos da floresta. O sucesso desse empreendimento depende de decisoes e açoes cuidadosas nas diversas etapas de sua implementaçao como a escolha e a limpeza da área, o espaçamento, o controle de pragas e doenças, a definiçao do método de plantio e os tratos culturais.

MÉTODOS DE PLANTIO
O plantio de pínus pode ser manual, mecanizado ou semi-mecanizado. O método mais apropriado depende da topografia da área, bem como da disponibilidade de recursos financeiros, mao-de-obra e de equipamentos adequados. Os métodos mecanizado e o semi-mecanizado podem ser aplicados em locais com topografia plana, onde se possa usar plantadoras tracionadas por tratores. As plantadoras, normalmente, fazem o sulcamento, a distribuiçao do adubo e efetivam o plantio. No sistema semi-mecanizado, somente as operaçoes de preparo de solo e os tratos culturais sao mecanizados e o plantio em si é manual. O plantio manual é recomendado em áreas declivosas ou em situaçoes onde, mesmo em áreas planas, nao e´ viável o uso de máquinas agrícolas devido a presença de obstáculos como rochas, tocos ou outras culturas.

Espaçamento
Espaçamento de plantio
- o espaçamento influencia na taxa de crescimento, na qualidade da madeira produzida, na idade de corte, nas idades e intensidades de desbaste requeridas, nas praticas de manejo e, consequentemente, nos custos de produçao. Essa variável é, provavelmente, uma das mais importantes para a qualidade e produtividade da matéria-prima a ser produzida. O espaçamento afeta, fortemente, o crescimento diamétrico do tronco das árvores e, como está associado a densidade populacional, afeta, também, a intensidade de uso dos recursos hídricos e nutricionais do solo, bem como da luminosidade disponível na área. Se a densidade de plantio for demasiadamente elevada (espaçamento restrito entre árvores), tais recursos nao serao suficientes para atender a demanda do povoamento, acarretando decréscimo no volume e na qualidade da madeira produzida na área. Se a densidade for demasiadamente baixa (espaçamento amplo entre árvores), as árvores nao aproveitarao todos os recursos disponíveis e haverá menor produçao por área. Portanto, o planejamento da densidade de plantio deve ter como base a obtençao do máximo de retorno por área. Normalmente, usam-se espaçamentos variando entre 3 m x 2 m e 3 m x 3 m que possibilitam tratos culturais mecanizados.

Características dos espaçamentos - espaçamentos amplos (densidade baixa) possibilitam maior produçao volumétrica por árvore e menor custo de implantaçao mas, requerem tratos culturais mais freqüentes e desbastes tardios, além de produzir árvores com maior conicidade de fuste. Espaçamentos restritos (densidade alta) resultam em maior produçao volumétrica por área mas menor volume por árvore, rápido fechamento do dossel, menor freqüencia de tratos culturais requerido e exigem desbastes precoces, produzindo árvores com fustes mais cilíndricos. Entre as formas dos espaçamentos, os quadrados ou os retangulares sao os mais indicados e usados.

Adubaçao
Os principais fatores que interferem no crescimento das árvores de Pinus, no Brasil, sao a qualidade do material genético e as condiçoes de solo onde é plantado. Geralmente, sao utilizados solos de baixa fertilidade natural, o que, de certa forma, afeta a produtividade. Para se evitar isso, sao necessárias correçoes com aplicaçao de fertilizantes. Avaliaçoes nutricionais nesses plantios sao importantes para se fazer recomendaçoes de fertilizantes. O conhecimento das deficiencias possibilita indicar os nutrientes que devem ser aplicados e, com isto, propicia melhor aproveitamento dos nutrientes pelas árvores.
Os solos destinados ao plantio de Pinus, nas pequenas propriedades rurais, sao, normalmente, os de baixa fertilidade natural ou os que nao servem para cultivos agrícolas. Embora a adubaçao do Pinus nao seja uma prática normalmente utilizada no Brasil, existem situaçoes em que ela é necessária para que as árvores sejam produtivas.
Os nutrientes mais freqüentemente utilizados nas adubaçoes minerais para espécies florestais sao o N, P, K e, com menor freqüencia, B e Zn. Em plantaçoes florestais, é comum o uso de adubo simples, formado por apenas um composto químico. Neste caso, sao utilizados:

- Sulfato de amônio e uréia, como fontes de nitrogenio;
- Superfosfato simples, superfosfato triplo e fosfato natural, como fontes de fósforo;
- Cloreto de potássio e sulfato de potássio, como fontes de potássio; ou Bórax, como fonte de boro.

A formulaçao do fertilizante varia de uma regiao para outra e com a cultura em que será aplicada. De maneira geral, o fósforo é aplicado em maior quantidade do que os demais elementos, por estar presente em menor concentraçao no solo.
Para se obter os melhores resultados com o uso de fertilizantes contendo NPK, o adubo deve ser aplicado o mais próximo possível da muda, para garantir o aproveitamento, sem causar danos as raízes. Deve-se tomar o cuidado de misturar bem o fertilizante com a terra, para evitar danos e até morte da muda devido a concentraçao salina. O ideal é esperar pelo menos um dia após a aplicaçao do adubo antes de efetuar o plantio, principalmente quando a adubaçao e o plantio sao feitos na mesma cova.
Existem diferentes formas de se aplicar o adubo:

- no fundo do sulco: distribuído no fundo do sulco de plantio, aberto pelo sulcador, ou outro implemento;
- na cova de plantio: colocado no fundo da cova, antes do plantio, bem misturado com a terra para evitar danos a raiz das mudas;
- em cobertura: aproximadamente tres meses após o plantio. Normalmente, colocado ao lado da planta, em faixas ou em coroa. Esta forma é utilizada para aplicar o N e o K, elementos que se perdem facilmente por volatilizaçao e lixiviaçao.

Nao existe recomendaçao de adubaçao baseada apenas nas análises de solo, nem especifica para cada espécie florestal nos diferentes tipos de solo. De maneira geral, a adubaçao é feita para suprir os elementos nutrientes que estejam em níveis menores que os críticos no solo.
Com base nos diagnósticos de cada sítio e os níveis críticos estabelecidos, sao recomendadas as formulaçoesde abubaçao para culturas de Pinus. As quantidades de adubo sugeridas foram estimadas com base em um plantio no espaçamento 3 m x 2 m, o que representa uma populaçao de 1.666 árvores/ha.
A aplicaçao de resíduos orgânicos em plantios florestais é prática recente. Por conterem quantidades limitadas de nutrientes minerais, esses resíduos nao substituem a adubaçao mineral. O benefício adicional destes resíduos é que incorporam a matéria orgânica e favorecem a açao de microorganismos no solo. Estes sao importantes no processo de decomposiçao da serapilheira depositada pelas árvores durante o ciclo. Assim, caso haja disponibilidade de resíduos, estes devem ser utilizados, devidamente compostados, pois potencializam os efeitos da adubaçao mineral.
Os resíduos orgânicos para aplicaçao em plantios de pínus podem ser lixo e lodo urbanos, resíduos agrícolas e de algumas atividades industriais. Os tipos normalmente utilizados sao cinza, resíduos de celulose, resíduos orgânicos urbanos e estercos. Os resíduos só devem ser utilizados após devidamente curtidos e livres de contaminantes químicos e biológicos.
Recomenda-se utilizar os resíduos orgânicos compostos nas dosagens de 6 até 12 kg/planta. Esses devem ser distribuídos em faixas de 2 m a 3 m ao longo da linha de plantio ou na projeçao da copa das árvores. Essa operaçao deve ser realizada 6 meses após o plantio e repetida, anualmente ou, pelo menos quando as árvores estiverem com 2 anos de idade. Após a aplicaçao, recomenda-se a incorporaçao superficial do resíduo para que este tenha maior efeito. Recomenda-se, ainda, incorporá-lo até uma profundidade de 5 cm para que o sistema radicular das árvores nao seja afetado.

Manejo de plantaçoes de Pinus taeda no Brasil
Pinus taeda é uma espécie amplamente utilizada em plantaçoes florestais nos planaltos da Regiao Sul do Brasil. Durante a década de 90, nessa regiao, plantaçoes de P. taeda foram estabelecidas, também, em pequenas propriedades rurais. Estas florestas tem sido importante fonte de matéria-prima. O manejo de plantaçoes de Pinus pode ser examinado segundo as seguintes vertentes básicas:
- plantaçoes em pequenas propriedades rurais - em que os componentes florestais sao um complemento da sua atividade produtiva e o proprietário busca a maximizaçao do retorno desse empreendimento;
- plantaçoes em grandes empreendimentos - nas quais grandes extensoes de terra, dedicadas aos plantios florestais, sao propriedades de empresas, muitas vezes, proprietárias, também, de indústrias processadoras de madeira. Esta particularidade faz com que a prioridade seja o abastecimento da indústria e nao, necessariamente, na obtençao do máximo retorno monetário ao investimento na floresta. Para os grandes empreendimentos, pode-se usar modelos matemáticos de otimizaçao do manejo (em especial, os modelos de "programaçao linear").

Dependendo do objetivo com que é produzida a madeira, devem ser tomadas decisoes importantes como o espaçamento inicial, os regimes de desbastes e de podas e a idade para o corte final. Os objetivos finais da madeira podem ser para:
- produçao de fibras ou biomassa, que requer toras de pequenas dimensoes para indústrias de celulose e papel, chapas de partículas de madeira aglomerada, de fibras e similares;
- processamento mecânico, que requer toras de grandes dimensoes, para processamento em serrarias e laminadoras.

As plantaçoes de pínus devem ser estabelecidas, preferencialmente, em:
- áreas com declividade inferior a 25 graus para se obter maior eficiencia e menor custo nas operaçoes de plantio, manutençao e cortes;
- áreas próximas a estradas e ao mercado para reduzir os custos de transporte;
- solos de melhor qualidade possível para maximizar o retorno monetário.

Para produzir a maior quantidade de madeira no menor número de árvores possível, deve-se adotar um espaçamento inicial amplo, com densidade de 1.100 a 1.300 árvores por hectare. Para tanto, recomenda-se adotar o espaçamento de 2,50 m x 3,00 m (1.333 mudas/ha).
Recomenda-se realizar dois a tres desbastes, ou cortes intermediários, durante a rotaçao, removendo cerca de 40% das árvores em cada operaçao, nas idades aproximadas de 10, 14 e 18 anos.
Na produçao de madeira para processamento mecânico, recomenda-se efetuar a poda ou desrama, das árvores. Devem ser podados os ramos verdes, em duas operaçoes, as idades de 4 e 7 anos. A primeira operaçao deve ser realizada no final do inverno, até uma altura de 2,70 m a 3,00 m. A segunda deve ser feita até uma altura de 6,00 m a 7,00 m.
Pode-se realizar podas até maiores alturas mas o custo da operaçao será maior. O propósito da poda é a produçao de tora com cerca de 6,00 m a 7,00 m de comprimento, com um cilindro central nodoso de aproximadamente 10 cm de diâmetro.
As empresas que produzem madeira para biomassa para processamento industrial (por exemplo, as de celulose e papel) tem adotado uma rotaçao entre 18 e 20 anos. Na produçao de madeira para processamento mecânico, pode-se considerar, em princípio, uma rotaçao entre 20 e 25 anos. Em qualquer caso, uma análise das condiçoes de mercado (preços, demanda, perspectivas futuras) poderá indicar a rotaçao mais apropriada.
O uso de modelos matemáticos, como suporte ao processo de tomada de decisoes gerenciais, tem se tornado bastante intenso no Sul do Brasil. Estimativas de produçao de madeira podem ser obtidas por meio de um simulador ou modelos de crescimento e de produçao. Com este propósito, a Embrapa Florestas disponibilizou um software denominado SisPinus.

Importância sócio-econômica e ambiental
O setor florestal brasileiro contribui com 3% no PIB, um milhao de empregos diretos e indiretos, envolve mais de 600 municípios e tem um forte apelo social como atividade ambientalmente adequada para a conservaçao dos solos, dos animais e da água. Medidas com preocupaçoes na área ambiental sao implementadas tanto por parte do governo quanto de empresas que buscam, em parcerias, proteger áreas de mananciais, reservatórios de água e outras que tenham como objetivo formar uma consciencia ecológica. A consciencia ambiental, bem como a produçao sustentável de florestas plantadas, faz parte desse contexto.
No ano 2000, a demanda nacional por madeira chegou a 150 milhoes de metros cúbicos. Para o ano 2010, espera-se um crescimento até 240 milhoes de metros cúbicos. Neste quadro, inclui-se a participaçao fundamental dos povoamentos de Pinus. Com a evoluçao de sua produçao, os principais usos da matéria prima estao sendo direcionados para o processamento industrial em serrarias, laminadoras, fábricas de chapas e para indústrias de celulose e papel.
Na década de 50, o governo estimulou o investimento na indústria de papel e celulose. Com isso, plantios de Pinus passaram a ser implementados com o objetivo de suprir a matéria-prima, em substituiçao a madeira de araucária. Para atender a crescente demanda de papel e celulose pelo setor industrial, foi instituído, em meados dos anos 60, o incentivo fiscal para plantio de florestas. Esse incentivo vigorou por 20 anos e, a partir de entao, os plantios, praticamente, cessaram, exceto nas rotinas das empresas verticalizadas como do setor de celulose e papel.
Os Pinus, dado o seu rápido crescimento e boa qualidade da madeira, é muito usado em vários segmentos industriais, gerando uma diversidade de produtos. Em 1999, os plantios de Pinus abrangiam uma área estimada em 1,94 milhoes de hectares, concentrados nos estados do Paraná (33,9%), Santa Catarina (17,3%), Bahia (13,0%) e Sao Paulo (11,0%).
Segundo dados do Censo Agropecuário de 1995/96, os principais plantios se concentravam em áreas maiores que 1.000 ha, destacando-se o Paraná com 71%, Santa Catarina 54%, Sao Paulo, 69% e Minas Gerais 83%. Plantios em áreas menores que 50 ha sao inexpressivos. Aproximadamente 70% das áreas plantadas sao de empreendimentos verticalizados, predominantemente do segmento de papel e celulose, mostrando a preocupaçao destas em garantir a matéria prima para sua planta industrial.
Os plantios anuais de Pinus, estabelecidos pelas empresas ligadas a Associaçao Brasileira de Papel e Celulose (Bracelpa), no período de 1991 a 1998, variaram, anualmente, tendo atingido as maiores extensoes no período de 1993 a 1996.
O segmento industrial de papel e celulose passou a utilizar, de forma mais intensiva, sementes provenientes de povoamentos melhorados, obtendo, assim, ganhos de produtividade. Atualmente, a produtividade dos povoamentos de Pinus varia de 25 a 35 m3/ha.ano, dependendo do tipo de solo e do manejo aplicado.
A produçao florestal com Pinus está bem desenvolvida no Sul do Brasil, onde existe uma área estimada em 1,8 milhoes de hectares. O sistema de produçao predominante preconiza uma rotaçao maior que 21 anos. Sao plantadas, inicialmente, 1.667 árvores/ha, Nas idades de 8 e 12 anos sao efetuados, respectivamente, o primeiro e segundo desbastes. Isto significa uma reduçao no número de plantas, em média, de 40% no primeiro e 30% do remanescente no segundo desbaste. O corte final é feito após a idade de 21 anos, quando restam, em média, 500 árvores/ha. Nesse período, é possível obter uma produçao média de 50 até 70 m3 aos 8 anos, 70 a 120 m3 aos 12 anos e, aos 21 anos, a produçao deve ultrapassar 450 m3. Isto significa, em média, uma produçao maior que 30 m3/ha.ano.

Coeficientes técnicos e custos da produçao
No primeiro desbaste de Pinus, aos 8 anos, pode-se obter uma receita de R$ 350,00 a R$ 600,00/ha, oriunda da comercializaçao da matéria prima. Esses recursos auxiliam na amortizaçao das despesas de manutençao dos povoamentos. No segundo desbaste, aos 12 anos, haverá uma entrada adicional de renda em torno de R$ 1.618,00/ha. Este valor está associado ao preço da madeira, em média, de R$ 15,00/m3, posto fábrica. No corte final, aos 21 anos, obtém-se uma renda de R$ 12.451,23/ha, ao preço médio de R$ 28,00/m3, livre de impostos. Assim, a receita total da venda da madeira, no período de 21 anos, é estimado em R$ 15.451,00/ha.
O sistema de preparo de solo, no primeiro ano, despende R$ 225,46/ha para enleirar, aplicar herbicidas e subsolar. Os custos de plantio, que envolvem a compra ou a produçao de mudas, mao-de-obra, e controle de formigas, correspondem a R$ 232,23/ha. Por sua vez, o custo dos tratos culturais, que incluem a aplicaçao de herbicidas, a manutençao de aceiros contra fogo e o controle de formigas, é estimado em R$ 1.320,20/ha. O custo da terra, nesse período, é estimado em R$ 1.998,50/ha.
Para o sistema de produçao de Pinus, em discussao, nao estao sendo considerados os custos de administraçao das empresas. Todavia, por envolver grandes áreas, isso representa 2% a 3% dos custos totais da produçao. Verificam-se variaçoes nos custos de produçao de Pinus, dependendo do destino da matéria prima.
Os preços da madeira se diferenciam, dependendo da forma de aproveitamento da matéria-prima. Por exemplo, o metro cúbico de Pinus pode custar R$ 4,00/m3, se for para energia e celulose, até R$ 30,00 a 70,00/m3, dependendo da qualidade da tora, para serraria e laminaçao.
No aspecto do manejo florestal, em uma área de 1 ha, plantada com 1.667 árvores, se produz 52 m3 (600 árvores) no primeiro desbaste, aos 8 anos se for removida uma em cada tres linhas. No segundo desbaste, aos 12 anos, retiram-se, aproximadamente, 500 árvores que podem chegar a 72 m3. No corte final, aos 21 anos, colhem-se 480 m3 (500 árvores). Nesse modelo, a distribuiçao da matéria-prima destinada aos diferentes segmentos industriais varia conforme a idade do povoamento.
Mas, a maioria dos compradores de toras de Pinus nao tem elasticidade operacional suficiente que lhe permita dar destinaçao diferenciada a matéria-prima. Isso faz com que paguem, pelo "blend", um preço determinado pela combinaçao dos preços das diferentes categorias. Assim, toras de Pinus vendidas no 8o. ano tem um preço médio de R$ 5,00/m3, que é equivalente ao valor pago pela matéria-prima predominante para energia e celulose. Aos 12 anos, a ponderaçao das proporçoes de matéria-prima para serraria, energia e celulose determina um preço médio em torno de R$ 15,00/m3. Aos 21 anos, quando a maioria (92%) das toras sao de grandes dimensoes e apropriada para laminaçao e madeira serrada, o preço estimado é R$ 28,00/m3.
No comércio mundial de produtos florestais, a participaçao brasileira nao ultrapassa 2%, considerando-se os dados agregados de diferentes espécies. O Brasil ocupa o 11o. lugar no comércio de papel (2,2% de participaçao), 7o. lugar (4,2%) de celulose, 5o. lugar (4,3%) de madeira serrada, 2,9% de compensados, 3% de painéis reconstituídos e 11,1% de chapas duras.
Em decorrencia da interrupçao no ritmo de plantios florestais, após meados dos anos 80, já está ocorrendo déficit de madeira de Pinus no mercado, estimado em aproximadamente 6 milhoes de metros cúbicos, em 2001. Esse déficit poderá chegar a 19 milhoes de metros cúbicos em 2010 e 27 milhoes em 2020. O desequilíbrio entre a oferta e a demanda deverá resultar em um ajuste nos preços das toras para um patamar superior aos praticados atualmente.
No período de 1995 a 2000, o aumento dos custos no processamento de papel e celulose foi de 37%, enquanto que na produçao de toras para serrarias foi de 115% e, na produçao de lâminas, 162%. Com base nisso, o aumento na produçao de celulose deve ocorrer numa taxa anual de 5% no período de 2000 a 2005. Espera-se que a ampliaçao na produçao nacional de celulose fique em torno de 3 milhoes de toneladas até 2005. Há uma expectativa de incremento no consumo de madeira serrada, da ordem de 3% ao ano, oriunda de florestas nativas e de 5% de florestas plantadas. Porém, isso deverá ser ajustado a limitaçao na capacidade de oferta das florestas plantadas. Está previsto, também, um aumento na produçao de MDF (chapas de fibra de média densidade) para 2005, equivalente a quatro vezes a produçao de 1995. Por outro lado, a instalaçao de indústrias de OSB (chapas de fibras orientadas) aumentará a demanda de matéria-prima de florestas plantadas, principalmente Pinus. O aumento na produçao de móveis, até 2004, está estimado em 12%. Nesse segmento, há uma participaçao significativa da madeira de Pinus. A demanda de madeira de Pinus que, atualmente, é de 40 milhoes de metros cúbicos, deverá crescer para 78 milhoes no ano 2020.

Sistemas agroflorestais
Os plantios convencionais de Pinus formam densos maciços florestais, dispostos em espaçamentos regulares e, normalmente, com uma única espécie. Entretanto, existem outras formas de plantio, de maneira integrada com as atividades agrícola e pecuária ou, ainda, como prestadora de serviços como
quebra-ventos, cercas vivas, proteçao de animais, preservando o seu potencial para gerar produtos de valor econômicos. Nesses sistemas, normalmente, sao usadas baixas densidades de plantio, em diferentes arranjos espaciais. 
Na produçao de madeira para celulose, o espaçamento normalmente usado é de 3 m x 2 m, correspondendo a 1.667 árvores/ha e o povoamento é conduzido sem desbaste. Sob este tipo de manejo, há limitaçao de luz para o crescimento de pastagens no sub-bosque. No entanto, um regime de manejo visando a diversificaçao produtos como toras finas nos desbastes e toras de grandes dimensoes e de alto valor no final, para processamento mecânico, requererá desbastes até se chegar a densidade final de 250 árvores/ha. Esse processo visa nao só reduzir a populaçao para um número limitado de árvores de alta qualidade e, também, aumentar o espaço livre entre elas, bem como a luminosidade no sub-bosque, oferecendo oportunidades para o estabelecimento de sistemas de produçao mistos, integrando as atividades agrícola, pastoril e florestal. 
Regimes de manejo caracterizados por espaçamentos iniciais amplos, desbastes precoces e pesados, e podas altas (4 a 5 m) produzem madeira de boa qualidade, com altos rendimentos econômicos.
Plantios em linhas duplas ou triplas (1,5 m entre plantas e 3,0 m entre linhas), distanciadas entre si de 10 a 40 m, permitem a produçao simultânea de madeira e alimentos, pois esta configuraçao possibilita desenvolver culturas agrícolas ou pastagens nas entre-linhas. 
Em áreas planas, recomenda-se direcionar as linhas de plantio no sentido leste-oeste para evitar o excesso de sombra para as culturas associadas. Em terrenos acidentados, pode-se plantar as árvores em curvas em nível. Essa prática é comum no noroeste do Paraná, com diferentes espécies de eucalipto
e grevílea diretamente sobre os terraços construídos para estabilizar o solo. 
Uma desvantagem aparente da introduçao do Pinus em pastagens é a necessidade de se isolar a área plantada, por um período de dois a tres anos, para que os animais nao causem danos as plantas. Uma alternativa é instalar cercas para proteger as mudas. Entretanto, nao é o caso em situaçoes em que a pastagem necessita de reforma e os animais sao retirados da área para permitir essa operaçao. Em áreas onde a pastagem ainda nao foi implantada pode-se associar a espécie florestal com culturas agrícolas nos primeiros anos.

Regimes de manejo de Pinus para produçao de toras para laminaçao e serraria
Os plantios de Pinus para produçao de toras para laminaçao e serraria devem ser manejados para diminuir a competiçao entre árvores e estimular o crescimento em diâmetro. A aplicaçao de desbastes adequados e de desrama resultam em toras de melhor qualidade e valor, gerando maior renda ao produtor.
As dimensoes das toras para laminaçao e serraria variam de acordo com exigencias específicas de cada indústria. Normalmente, elas sao definidas pelo diâmetro da extremidade mais fina:

Diâmetro mínimo
Destino
maior que 35 cm
Laminaçao especial
25 - 35 cm
Laminaçao comum
15 - 25 cm 
Serraria

Veja um exemplo de regime de manejo de Pinus taeda, visando a produçao de madeira para laminaçao e serraria, com um desbaste comercial tardio, que permite antecipar renda. As dimensoes das toras sao as especificadas acima, com 2,4 m de comprimento.
Os desbastes mais cedo rendem maior volume de madeira para laminaçao especial na colheita final. O desbaste aos 18 anos nao é recomendável por estar muito próximo da idade de corte final (22 anos).
As estimativas de rentabilidade em Valor Presente Líquido  anualizado com juros de 8% ao ano, auxiliam o produtor a decidir quanto a idade ideal para realizar o desbaste, levando-se em consideraçao os fatores como a necessidade de antecipar a renda, a rentabilidade total, a perspectiva de aumento do preço da madeira ao longo dos anos e as ofertas de mercado. Esse regime de manejo possibilita flexibilizar a idade do desbaste comercial sem perdas significativas na renda. Deve-se considerar, também, a possibilidade de alterar a idade de corte final, principalmente mantendo o povoamento por mais alguns anos, visando obter toras ainda mais grossas.

Certificaçao do manejo de plantaçoes de Pinus no Brasil
Introduçao
Conforme dispoe a Associaçao Brasileira de Normas Técnicas, ABNT (Associaçao ..., 2002), denomina-se "certificaçao" ao conjunto de atividades desenvolvidas por um organismo independente de uma relaçao comercial (entre produtor  e consumidor) com o objetivo de atestar publicamente, por escrito, que determinado produto, processo ou serviço está em conformidade com os requisitos especificados. Tais requisitos podem ser nacionais, estrangeiros ou internacionais. De outro lado, pode-se certificar produtos, como, por exemplo, utilizando-se das normas da série ISO-9000, ou processos, fazendo uso das normas da série ISO 14000 (e que dizem respeito aos Sistemas de Gestao Ambiental, SGA.

Sistemas de certificaçao florestal
A expressao Certificaçao Florestal, tao amplamente popularizada nos últimos anos, diz respeito a certificaçao das boas práticas de manejo florestal. O conceito aplica-se tanto para florestas plantadas como para florestas naturais (ou florestas nativas). Na atualidade, determinados mercados importadores, principalmente aqueles de países europeus, exigem que produtos florestais como papel, celulose ou madeira serrada e móveis sejam produzidos com madeira cujos meios de produçao tenham sido certificados. O tema tem sido amplamente documentado, como, por exemplo, nas obras de Upton e Bass (1996), Viana et al. (1996) e Maser (1997). A essencia do conteúdo técnico dos sistemas de certificaçao florestal diz respeito a noçao de sustentabilidade, segundo suas dimensoes econômica, social e ambiental.
Existem diversos sistemas de certificaçao florestal já operacionalizados no planeta. Smerandi & Veríssimo (1999) e Azevedo & Freitas (2001), descrevem alguns efeitos positivos obtidos em resultado a adoçao do sistema Forest Stewardship Council, FSC. Os procedimentos adotados por esse sistema de certificaçao (concebido originalmente para a certificaçao de florestas nativas) podem ser examinados em www.fsc.org.br e www.imaflora.org. Um exame do estudo documentado por Roxo (1999) também é pertinente, em especial no que diz respeito ao conteúdo normatizador de diferentes sistemas de certificaçao. No presente estudo, no entanto, a iniciativa brasileira denominada Abnt-Cerflor será brevemente examinada como segue.

O sistema Abnt-Cerflor de certificaçao florestal
Por uma iniciativa da Sociedade Brasileira de Silvicultura, SBS, evidenciou-se, em 1991, a necessidade de que pudesse ser desenvolvido algum sistema nacional de certificaçao das "boas práticas de manejo florestal'. Garlipp (1995) indica as diversas vantagens que poderiam ser verificadas com o desenvolvimento de um "certificado" brasileiro. Já em 1993, a Embrapa Florestas engajou-se em parceria com a SBS, produzindo-se uma primeira aproximaçao de uma proposta de uma sistema de certificaçao que pudesse representar as condiçoes brasileiras. Durante alguns anos o sistema proposto foi sendo aprimorado com a participaçao de diferentes "partes interessadas" como, por exemplo, instituiçoes de ensino e pesquisa, empresas florestais e organizaçoes nao-governamentais. Em 1998 a proposta foi recepcionada pela Associaçao Brasileira de Normas Técnicas, Abnt. Após as devidas adequaçoes o sistema Abnt-Cerflor foi finalmente materializado por meio da publicaçao, em fevereiro de 2002, das seguintes normas brasileiras:
NBR 14789: Manejo Florestal - Princípios, critérios e indicadores para plantaçoes
florestais
NBR 14790: Manejo Florestal - Cadeia de custódia
NBR 14791: Diretrizes para Auditor Florestal -  Princípios Gerais
NBR 14792: Diretrizes para Auditor Florestal -  Procedimentos de auditoria -
Auditoria de manejo florestal
NBR 14793: Diretrizes para auditoria florestal - Procedimentos de auditoria,
Critérios de qualificaçao para auditores florestais.
Informaçoes detalhadas acerca destas normas podem ser obtidas consultando-se www.inmetro.gov.brwww.sbs.org.br e www.abnt.org.br.
É oportuno mencionar que o sistema Abnt-Cerflor  foi desenvolvido para possibilitar a certificaçao da sustentabilidade do manejo de plantaçoes florestais (ou florestas plantadas, ou plantios florestais) estabelecidas com quaisquer espécies florestais, nativas ou exóticas. O sistema, aplica-se, portanto, também aquelas plantaçoes estabelecidas com espécies de Pinus.
A aplicaçao dos procedimentos de auditoria florestal (que devem ser observados na certificaçao pelo sistema Abnt-Cerflor), fundamenta-se na verificaçao de indicadores, no contexto de diversos critérios e que atendem a cinco princípios fundamentais, identificados como segue:
Princípio 1. obediencia a legislaçao;
Princípio 2. Racionalidade no uso dos recursos florestais a curto, médio e longo prazos, em busca da sua  sustentabilidade;
Princípio 3. Zelo pela diversidade biológica;
Princípio 4. Respeito as águas, ao solo e ao ar;
Princípio 5. Desenvolvimento ambiental, econômico e social das regioes em que se insere a atividade florestal.
Fonte: Embrapa Florestas

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